segunda-feira, 9 de junho de 2008

Agulhas

Tenho um problema muito sério com agulhas. Ou melhor, tenho uma enorme fobia de agulhas. O medo é mais forte do que eu e, por mais que as pessoas me digam que não vai doer (e nem dói muito mesmo), a simples visão da agulha chegando perto do braço para pegar a veia me deixa suando frio, com falta de ar, me faz chorar, ou melhor, dar escândalo mesmo no laboratório.
A perspectiva de fazer quimio não está me assustando tanto, afinal sei que é para minha própria cura definitiva que terei de encarar esse tratamento. Mas a idéia de que, a cada 28 ou 21 dias, terei de levar duas picadas para fazer a quimio me deixa transtornada. Como conseguir levar duas picadas no mesmo dia sem chorar, passar mal ou, o pior de tudo, sem a veia sumir, como ocorre normalmente quando faço exame de sangue?
Venho pensando nisso já há um bom tempo. Quem me conhece bem sabe que tenho fobia de agulha, mas ainda assim todo mundo me questiona como, eu sendo tão corajosa para tanta coisa, posso ter esse medo irracional de uma picada. Eu sei que a picada não vai furar meu braço, sei que não dói quase nada, sei que o calibre da agulha é pequeno... mas ainda assim suo frio ante a idéia de me deixar furar DUAS VEZES no mesmo dia.
Apesar disso, sábado já tive a minha primeira prova de como será minha coragem frente à agulha. Precisei fazer meu primeiro exame de sangue para poder começar a quimio. Para não ficar muito tempo no laboratório, pedi que mandassem a enfermeira em casa fazer a coleta. Na sexta-feira fiquei psicologicamente me preparando para a agulhada. Aliás, nem dormi direito pensando na agulha. Rezei tanto, mas tanto, que no sábado, quando a mulher chegou aqui, eu estava calma. Pela primeira vez, EM ANOS, ou melhor, DESDE QUE COMECEI A FAZER EXAMES DE SANGUE, o impossível aconteceu: a veia não sumiu, não chorei, não passei mal e ela conseguiu fazer a coleta de primeira. Só as mãos que suavam frio, mas tirando isso deu tudo certo. Será um sinal de que as preces de todo mundo estão dando certo? Tomara, porque eu mesma estou rezando para que esse medo se torne menos forte. Afinal, uma agulha não pode ser maior do que eu, não é mesmo?

Um comentário:

André Leite disse...

E aí baby...beleza...tô meio sumido mas é por causa do trampo. Fiquei duas semanas no Rio de(ngue) Janeiro, fora as cidades do interior que fui visitar (conheces Rancharia)...tô gostando de ver tua força, continue assim que tudo dará o mais certo possível...minha irmã tá chegando hoje a noite (terça)...meu pai tá naquela de interna e sai do hospital toda semana...ele tá cansado...beijos