terça-feira, 28 de outubro de 2008

Oficialmente curada!!!!

Finalmente recebi a notícia que esperava há seis meses: ESTOU OFICIALMENTE CURADA!!! Ontem estive com minha quimioterapeuta e hoje com meu mastologista, e ambos disseram que estou mais do que ótima. Assim como em 2003, consegui derrubar o câncer. Por mais que ele tenha tentado me amedrontar quando voltou, eu consegui fazê-lo ir embora novamente.
Não sei nem dizer direito como estou me sentindo... É um misto de vontade de gargalhar e sair gritando para todo mundo isso com lágrimas a todo momento surgindo. Dessa vez são lágrimas de muita, muita alegria!!!! Alegria por ver que o sofrimento passou, por perceber que, por pior que tenha sido fazer a quimio, foi graças a ela que hoje estou podendo ter toda essa felicidade, e alegria por ter tido apoio tanto da minha família quanto dos meus amigos durante todo esse tempo!
Desde a semana passada venho tendo aquela sensação de felicidade, de estar retomando a minha vida. Meu cabelo está crescendo, e não ligo mais de ficar sem peruca em barzinhos, coisa impensável para mim há menos de um mês. Fiz minha primeira depilação desde abril, o que significa que os efeitos da quimio realmente foram embora do meu organismo. Parece uma coisa idiota, mas só quem perde todos os fios do corpo sabe o que isso significa: VITÓRIA!
E estou “mais do que nunca” preparada para as cirurgias reparadoras que virão. Dia 10 encaro a primeira, e tenho certeza de que tudo ficará perfeito. Aliás, se bobear, vai ficar até mais bonito que antes!!!! Enfim, tudo está se encaixando. Não sei mais o que posso querer, mas sei que tenho muito a agradecer, principalmente a segunda chance que Deus me deu na vida. Vou tentar, de todas as maneiras, fazer o melhor uso dela!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Desânimo

Pela primeira vez, desde que soube estar doente, me senti realmente desanimada. O motivo nem é tão grave assim, mas acho que na verdade ele apenas culminou um sentimento que volta e meia vem surgindo: a tristeza por tudo que aconteceu.
Hoje eu ia preencher meu expansor. É o segundo passo para a tão sonhada reconstrução, então imaginem como eu estava feliz com isso. Na verdade deveria ter preenchido o expansor pela primeira vez a semana passada, porém não foi possível achar a válvula onde o soro seria injetado nele e, para não correr nenhum risco, meu cirurgião plástico decidiu que hoje faria uma pequena incisão e somente então ia colocar o líquido.
Não fiquei chateada quando não deu certo a semana passada. Na verdade até achei engraçado quando o médico disse que isso nunca havia acontecido antes, mas que havia uma solução. Cheguei a brincar com isso: se não havia acontecido antes, é claro que teria de acontecer comigo!
Porém o que eu imaginava que hoje seria o começo real da reconstrução se transformou em uma frustração enorme. Novamente não foi possível encontrar a válvula, mesmo com a abertura feita. Meu médico e o auxiliar tentaram de todas as maneiras e, por coisa de 0,5 cm, não conseguiram definir com certeza se o que haviam encontrado dentro de mim era a válvula ou a costela. Nem pensem por um minuto que isso é barbeiragem ou algo do gênero, porque não é. Infelizmente a válvula está agora numa posição dificílima, e a solução será abrir o que já foi feito, encontrar a sua localização exata, e então injetar o soro fisiológico, que serve para expandir a pele e deixá-la pronta para a prótese que será colocada futuramente. Como farei a primeira plástica o mês que vem, na mesma cirurgia será feita a expansão. Um processo que deveria ser simples infelizmente ocorreu de maneira não esperada.
Não sei nem dizer o quanto fiquei frustrada! Se esse tipo de ocorrência fosse comum, talvez eu tivesse aceitado melhor. Mas, reforçando o que disse anteriormente, isso nunca havia acontecido antes com esse cirurgião. Conversando pouco depois com o mastologista, ele me disse que esse tipo de ocorrência é muito rara mesmo, e que infelizmente havia acontecido comigo.
Dessa vez estou sem espírito para brincar. Lembram quando a gente está estudando e o professor faz sorteio para ver quem vai apresentar o trabalho primeiro? Eu sempre dizia que nem precisava sortear, com certeza eu seria a primeira. Foi assim que me senti hoje: a primeira em algo que eu não queria ser a primeira. Sei que não é o fim do mundo, que mês que vem o expansor será preenchido... Mas queria apenas que tudo corresse da maneira tradicional: preenchimento no consultório, troca pela prótese e finalização da plástica. Comigo será diferente: uma cirurgia para o preenchimento do expansor, que não deveria ser necessária se tudo tivesse sido diferente.
E hoje, pela primeira vez em bastante tempo, acabei me questionando o por quê isso está acontecendo comigo. Não adianta neste momento alguém me falar que “Deus não dá a cruz maior que a gente pode carregar”, ou que “você é forte, por isso que as coisas são assim”, ou que “o pior já passou”... Neste exato momento estou triste, muito triste. Até sei que amanhã tudo passa, mas hoje estou me permitindo sentir assim. Mesmo sendo uma fortaleza, também tenho meus momentos de fraqueza. Hoje é um deles.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Depressão

Andei meio relapsa com o blog. Depois da última quimio, que me derrubou na cama uma longa semana, fiquei meio deprimida. Dizer a verdade estava bem deprimida. Depois de tudo, de cinco meses todos os dias pensando que eu tinha de seguir em frente, me deixei levar um pouco pelo medo dos exames que estarei refazendo o mês que vem. Medo de que alguma coisa aconteça e eu tenha de novamente fazer quimio. Medo de passar de novo por tudo que já passei e que não quero que ninguém passe, nem mesmo meu pior inimigo (que eu não tenho). Enfim, o medo normal que as pessoas que tiveram alguma doença grave têm quando tudo termina.
E, do mesmo que a depressão veio, ela foi embora. Levantei da cama terça dia 2, e dia 3 já estava fazendo as fotos para o Jornal de Piracicaba. Por sinal, a repórter Marcela Benvegnu soube traduzir maravilhosamente bem tudo o que passei. O mais legal de tudo é que a matéria teve uma repercussão super positiva, muita gente me escreveu e até uma mulher me parou no shopping para comentar que havia se emocionado com minha história.
Na sexta, para fechar a semana, saí com meus amigos comemorar o fim das quimios. Foi uma noite divertidíssima, onde o objetivo de todos era um só: dar risada e falar de coisas boas, deixando para trás todas as coisas ruins que aconteceram comigo nos quatro meses em que estive em tratamento. Valeu a noitada, galera!
E, para finalizar tudo, esta semana estive no cirurgião plástico e em novembro encaro a primeira cirurgia. O expansor começa a ser preenchido no fim deste mês, e depois então vamos ao trabalho de deixar tudo bonito. Não vou voltar a ser “original de fábrica”, mas com certeza voltarei às blusinhas sem alça e decotadas que sempre gostei de usar.
Se estou feliz agora? Sim, e muito. Do mesmo jeito que fiz com o câncer, mandei a depressão ficar longe de mim. E pelo jeito ela me obedeceu, porque desde a semana passada o que estou sentindo é só alegria!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Fim das quimios

Hoje estou numa "felicidade irritante" ou, como disse uma vez Jamelão, "feliz que nem pinto no lixo", ou, como diz minha prima Zil, tendo de dar nó no sorriso para ele não sair do rosto. Amanhã, finalmente, termino as quimioterapias. Durante alguns dias estarei passando pela QFW (Quimio Fucking Week), mas é a última vez. Foram apenas quatro, número pequeno se comparado às pessoas que fazem o tratamento por anos, mas suficiente para me curar e me livrar, se Deus quiser, para sempre de ter um câncer novamente.
Todos vocês têm acompanhado desde o primeiro momento minha luta contra esta doença. Desde abril venho lutando contra ela e a cada dia me vejo mais forte. Mais forte porque consegui, pela segunda vez, sair dessa. Mais forte porque, mesmo quando veio o diagnóstico de uma situação grave, eu consegui dar a volta por cima e encarar a luta sem medo. E mais forte porque, nesse período, pude ajudar, com meu exemplo, muita gente que está passando pelo que passei, coisa que pretendo fazer mesmo quando tudo estiver definitivamente acabado.
Sinto como se estivesse entrando numa nova fase da minha vida. Tenho de refazer todos os exames e estou calma, com confiança de que tudo acabou realmente. E agora, alguns devem estar se perguntando, o que acontece? Tudo volta ao normal? Não já, porque ainda tenho as cirurgias reconstrutoras. Essas eu farei com gosto, na certeza de que estou nas mãos de um ótimo cirurgião, que me deixará tão bonita e perfeita quanto antes. E meu cabelo, que eu tanto sofri quando soube que ia perder, logo voltará a crescer. Pode até ser que mais forte e encaracolado... risos... Quem sabe estarei com um novo visual no fim do ano?
Penso em tudo isso e me sinto uma pessoa muito abençoada por Deus. Se eu não tivesse decidido fazer um exame antes do tempo, exame esse que seria feito apenas em outubro, jamais teria descoberto que estava com câncer de novo tão rapidamente e, quando isso ocorresse, a situação poderia ser mais grave. Àqueles que acreditam em milagre, eu digo que esse foi o milagre que houve comigo. E, por mais que eu tenha ficado de mal Dele no começo, hoje estou em paz e agradeço todos os dias pela minha cura, pela força que Ele me deu e por tudo de bom que recebi nesse período: ligações, visitas, abraços, carinhos de muita gente que eu nem mesmo imaginava que tivesse tanto amor por mim. Por pior que tenha sido, esse período também vai me deixar boas lembranças do quanto minha família e meus amigos estiveram incondicionalmente ao meu lado. Sou uma privilegiada por poder contar com tantas pessoas torcendo por mim. E espero um dia, em outra situação, poder retribuir tudo que todos fizeram por mim nessa fase tão difícil da minha vida.
Uma amiga que passou pelo que estou passando me mandou um texto sobre a quimioterapia. Faço dela as minhas palavras:

Adeus à quimioterapia

Hoje é dia de dizer adeus. Durante esses seis meses você foi uma amiga cruel, mas ainda assim, preciso lhe agradecer. Uma amiga que faz o mal para causar o bem... que machuca muito para curar... que destrói para salvar... Ainda sentirei sua presença nefasta durante muito tempo, mas o fato de dizermos adeus hoje me traz muita alegria... É a libertação de um tempo de muitas dores e sofrimentos, de muitas dificuldades e humilhações... mas que também propiciou muitas descobertas, muito fortalecimento espiritual. Colocando na balança, sei que o saldo foi positivo. Você me trouxe a cura, e de quebra, o crescimento, o entendimento. Despeço-me sem saudades, mas com toda reverência. E, embora eu não deseje nem ao meu pior inimigo que venha a experimentar você, que a sua atuação possa ajudar a curar milhares de outras pessoas mundo afora, enquanto a medicina não encontra uma forma menos agressiva de tratar desse mal. Adeus... E, apesar de tudo... muitíssimo obrigada...

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Falta só uma...

Olá povo!
Depois da QFW (Quimio Fucking Week) estou finalmente ótima. Mais importante que tudo: em menos de duas semanas acaba esse tormento e, se Deus quiser, nunca mais terei que encarar uma semana de enjôo e sem tomar água, apenas encarando gelo e comidinhas leves, com medo de qualquer coisa me fazer passar mal.
Ou seja, tenho dias tranqüilos pela frente, e mais uma semana ainda de sofrimento. Sofrimento esse que está acabando, após quatro meses de cirurgia, rádio e tratamento, tudo para ficar livre de uma vez do câncer. Pelos meus cálculos e pelas cirurgias reconstrutoras que ainda faltam, acredito que no começo de 2009 estarei zerada, comemorando meus 37 anos já de cabelo curto e com muita alegria por estar viva e SAUDÁVEL!
Enfim, é isso. Novamente estou aqui vivendo um dia de cada vez, e otimista que minha cura já alcançada está sendo apenas assegurada com as quimioterapias. Também otimista de que meu futuro, depois que tudo passar, será com certeza repleto de alegrias, com muita coisa boa a conquistar e a fazer pelos outros. Neste momento, resta apenas esperar a última quimio, e encarar seus efeitos com mais bom humor, afinal eles não são eternos!

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Independência

Olá pessoal...
Queria dizer que minha vida está, aos poucos, voltando ao normal... Tenho apenas mais duas quimios, mas já estou sentindo o gostinho de estar retomando, aos poucos, o comando do que posso ou não fazer.
Esta semana me permiti sair quinta, sexta e hoje. Olha eu baladeira de plantão de novo! E foi muito, muito bom, o sentimento que tive ao fazer uma coisa tão simples, mas que sempre me deu muito prazer: dirigir. E mais ainda com meu carro novo lindo maravilhoso! O melhor de tudo foi não depender mais de ninguém para me locomover. Poder sair ouvindo música, estacionar e ver que, apesar de a cirurgia ainda incomodar um pouco, dependendo do movimento, ela não me impede de ir e vir.
Pode parecer pouco, mas é muito para quem, nos últimos dois meses, dependeu dos outros para poder dar uma volta. Mais importante de tudo foi a sensação de liberdade que tive ao sair e voltar como sempre fiz, sem me preocupar que estou deixando alguém me esperando, que estava na DEPENDÊNCIA de alguém. Porque, ser independente, mesmo que aos poucos, é muito bom. E quem me conhece sabe que ser dependente, para mim, é algo inconcebível. Ainda dependo de ajuda para muita coisa, mas pelo menos posso ir e voltar sem ter de pedir a ninguém.
Aliás, tenho de agradecer muito ao meu pai, que tem sido meu "chofer" nestes últimos tempos, e também àqueles que, quando precisei, vieram me buscar em casa para sair.
Também tenho de agradecer minha mãe, que tem feito tudo para mim em casa, principalmente para que minha recuperação seja o mais rápida possível.
Queria aproveitar também e agradecer a todos vocês que, de uma forma ou outra, estão me dando uma força enorme para passar por tudo isso. Cada e-mail que recebo, cada telefonema e cada visita têm um significado especial. Cada gesto de apoio se transforma em uma energia positiva muito grande, que me impulsiona a terminar logo este tratamento, para que em breve minha vida volte ao normal. Sem meus pais, minha família, e meus amigos, não sei como teria conseguido chegar até onde cheguei neste momento.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Ausência

Talvez vocês tenham estranhado meu sumiço, mas tudo tem uma razão de ser neste mundo. Minha segunda quimio definitivamente conseguiu me derrubar. Conseguiu, se isso era possível, ser pior que a primeira. Para começar, meu pânico de agulhas, que estava até controlado, ressurgiu com força total e foi preciso duas enfermeiras segurarem minha mão para que a tão temida picada pudesse ser feita. Não que eu estivesse sendo segurada por outras pessoas, mas o medo era tão grande que por puro reflexo eu acaba puxando a mão e com isso era impossível fazer a aplicação.
Depois passei mal, muito mal mesmo, durante quatro dias seguidos. Cheguei a pensar que, se todo o mal estar era uma maneira de Deus estar me castigando, que ele podia parar, porque eu já havia entendido o recado e com certeza me tornaria uma pessoa melhor. Melhor em que, me pergunto agora? Não roubo, não matei ninguém, sou honesta, trabalhadora, companheira (haja visto o número de amigos que tenho), enfim, não sou perfeita, mas não vejo defeitos que justifiquem um castigo. Claro que depois me toquei de que Deus não castiga ninguém que não mereça, e se tenho de passar por isso é porque ninguém pode estar em meu lugar.
Por fim, acabou tudo. Esta semana ainda fiquei com dor no corpo e desânimo, mas quarta-feira me animei e acabei até mesmo indo fazer um corte moderno em minha peruca, que ficou um show, diga-se de passagem. Ontem já dirigi meu carro novo pela primeira vez, e até mesmo saí à noite para um papo bem gostoso com meu amigão Celso. Hoje, se tudo der certo, estarei num happy hour com a Paulinha, para voltar aos velhos tempos de antes do câncer atrapalhar minha vida mais uma vez.
Câncer esse que já se foi, e tenho motivos para comemorar agora. Faltam apenas duas sessões para essa parte do tratamento acabar. Se tudo der certo, final de agosto me livrei da quimio. Depois, tem mais cirurgias, mas nada que me deixe deprimida. E, do jeito que a coisa está indo bem, fecharei 2008 com o saldo positivo: mais uma vitória contra essa doença, e minha saúde restabelecida para as festas de fim de ano. Aleluia!