segunda-feira, 4 de maio de 2009

Fechando o ciclo

Hoje é véspera da minha última cirurgia. Ou melhor, últimas cirurgias, porque farei uma biópsia novamente no útero, para a retirada de um pólipo. Exatos 364 dias depois da minha mastectomia, encerro o ciclo de operações com o retoque das plásticas. Ainda falta fazer o bico do seio e a aréola, mas isso é fichinha, coisa de consultório que nem faz cócegas.

Estou feliz e ao mesmo tempo apreensiva. Feliz pelo fim de anestesia geral e hospital, mas apreensiva com a biópsia. Por mais que eu saiba que é para meu bem, que é quase 100% de certeza de que não é nada, fico nervosa, é claro! Essa história de esses pólipos ficarem aparecendo não é nem um pouco agradável, e a biópsia, no meu caso, é obrigatória. Já fiz uma esse ano e não deu nada, então tenho de pensar positivamente que essa também não vai dar. Mas tem horas que bate um medo...

Nem sei como será essa recuperação, porque o médico irá mexer nos dois seios dessa vez. Essa coisa de não levantar o braço parece moleza, mas tente ficar um dia todo sem abrir os braços ou levantá-los!!! Até agora as cirurgias foram alternadas, ou seja, um braço ficava em repouso, mas o outro podia se movimentar normalmente. Agora os dois irão ficar parados. Para mim, que adoro teclar e detesto depender dos outros, é meio que angustiante pensar nisso, mas não adianta também ficar reclamando. Sei que tudo isso é para o meu bem estar, portanto tenho de seguir as ordens médicas sem discussão.

E, finalizando mesmo esse ciclo, já tenho definida a data de retorno ao jornal: 6 de julho, uma segunda-feira, exatamente 1 ano e 3 meses após minha entrada em licença. Estou super ansiosa para o retorno, e sei que meu lugar está lá, apenas me esperando. Ainda não sei o que farei quando voltar, porém o mais importante é que voltarei! E essa volta será o começo da minha nova vida, de mudanças importantes, não somente em aspectos físicos, mas também pessoais. E tudo, graças a Deus, apenas com aspectos positivos!!!!

domingo, 5 de abril de 2009

Um ano

Há exatamente um ano minha vida virou pelo avesso. Quando tudo parecia tão certinho, a notícia que eu tinha um nódulo me fez encarar a perspectiva de estar novamente com câncer, fato que acabou sendo confirmado 10 dias depois. Olhando esse ano que passou, vejo que aprendi muita coisa. O sofrimento fez parte da luta, mas acabou sendo também a mola precursora para que eu fizesse dessa experiência triste uma forma de ajudar outros que passam pelo mesmo problema.
Hoje estou curada. Daqui um mês faço minha última cirurgia e, se tudo estiver certo, em junho volto a trabalhar. Hoje também faz um ano que estou em licença médica. Sinto falta das conversas dos colegas, do desespero de entregar a matéria no prazo, e do companheirismo que sempre senti na redação do jornal. Quando eu voltar, após tanto tempo, acho que será como começar de novo no emprego.
O tempo... O tempo para mim passa um pouco diferente do que para outras pessoas. Quando penso em algum fato passado durante esse período, normalmente ele acaba sendo relacionado a uma das fases do meu tratamento. “Não, nesse dia eu não saí porque estava em repouso da cirurgia”, ou “Ah, lembro porque foi quando terminei a quimioterapia”. Além disso, acabamos marcando o tempo como o intervalo entre cada fase do tratamento. Agora estou no intervalo entre a penúltima e última cirurgia. Após quase quatro semanas, ainda não estou liberada do repouso, não posso fazer esforço nem levantar o braço direito. Quando estiver bem, já entrarei na próxima cirurgia, e esse repouso de agora será feito com o braço esquerdo. Assim, sempre estou entre uma coisa e outra relacionadas ao tratamento.
E, no final de tudo, olhando esse um ano que passou, o resultado é bom. Não tenho mais os seios que tinha antes, ainda acho estranha essa prótese de silicone, mas sei que vou acabar me acostumando com ela. Mesmo porque não tenho outra opção, não é mesmo? Então, lamentar e chorar por algo que não posso mudar não faz mais parte do meu comportamento.
E daqui a um ano, quando olhar para trás, estarei apenas lembrando de uma fase difícil em minha vida, mas durante a qual aprendi muitas coisas. Também vou lembrar do carinho com que meus pais, familiares e amigos me ajudaram a passar por tudo. E, por último, mas não menos importante, vou lembrar que essa fase ruim demorou, acabou e fez surgir dela uma Andréa mais forte e determinada a ser cada dia mais feliz.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Miscelânea

Parece que abandonei o blog, não é??? Andei um tempo sem vontade de escrever nada. Não tem nenhuma razão específica, mas parece que ando meio entediada de tudo. Não sei se é a expectativa da nova plástica neste dia 9, ou se é esse calor insuportável (que no meu caso é duas vezes pior por causa do medicamento que tomo), ou se é apenas tédio mesmo de não estar ainda de volta a minha vida normal, ou seja, trabalhando.
Hoje estive no Liberal e foi muito bom ver todo mundo. Senti uma saudade imensa daquela movimentação, da necessidade de entregar uma matéria, da correria do dia a dia, da busca pela manchete. Difícil explicar isso a quem nunca ficou afastado do trabalho por doença. E hoje faz exatos 11 meses que estou fora de lá. Só volto em junho, mas já estou extremamente ansiosa por isso. E ser recebida com o carinho que senti hoje me deu mais vontade e ânimo para me recuperar das plásticas o mais breve possível.
Ontem meu dia foi meio triste. Minha amiga Aline, que fez quimio comigo, está novamente com câncer. Ainda não se sabe se é uma metástase ou outro câncer, mas o ponto principal é que, infelizmente, ela terá de fazer o tratamento novamente. Quando falei com ela, que estava chorando, senti mais dor do que no dia em que eu soube que estava doente de novo. Aline é uma pessoa maravilhosa, é casada e tem um filho lindo de 4 anos, e já fez um ano de quimio. Achei muito injusto isso estar acontecendo com ela... mas não adianta pensar assim. Hoje fui vê-la e fazer o que posso fazer nesse momento: mostrar que, mesmo sendo uma segunda vez, não se pode desistir. Venci duas vezes, e tenho certeza de que ela vencerá também.
A doença de Aline me fez refletir sobre algumas coisas que aconteceram nos últimos tempos e nas quais andei gastando tempo e energia sem a mínima necessidade. Minha vida é muito importante para me desgastar por aquilo que não posso resolver, por mais que eu queira. Minha energia é preciosa demais para ser gasta com pessoas que não querem estar ao meu lado ou que não gostam do meu jeito. Sou do jeito que sou e pronto. Acho um saco essa coisa de as pessoas acreditarem que quem tem câncer vira a Madre Teresa de Calcutá: passa a ser tolerante com tudo, não pode reclamar de nada, tem de levantar e todo dia agradecer que está vivo, e tudo no mundo passa a ser insignificante perto do fato de estar novamente bem. É óbvio que sou feliz por estar curada, que agradeço a Deus por isso, mas não sou obrigada a achar que tudo é maravilhoso e virar santa!!!! Acredito que sou uma pessoa melhor, mas não perfeita. Tenho defeitos que fazem parte de mim e não mudarão, nem com câncer nem sem ele. E tive defeitos que se foram depois que tive a doença duas vezes. Um deles era sofrer por antecipação. Não digo que não faço mais isso, mas melhorei muito nesse aspecto. E acho que escrevi demais... Desculpem o tom ácido, mas tem coisa demais na minha cabeça esses dias.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

37 anos...

Amanhã faço 37 anos. Passei daquela barreira dos 35, e estou ficando cada vez mais próxima dos famosos “enta”. Engraçado que não sinto isso. Penso que hoje tenho a maturidade e a experiência dos 37 anos com a alegria e a jovialidade dos 20. Não sou do tipo que acha envelhecer uma tragédia ou que esconde a idade. Muito pelo contrário, orgulho-me de ter mais um ano de vida.
Ainda não realizei muitas coisas que queria, como meu famoso sonho de ir ao Egito. Mas, mesmo não tendo realizado todas as coisas que quis, acho que se minha vida acabasse hoje eu ainda assim ia embora feliz. Não que eu quero que minha vida acabe, nem pensem nisso!!!! Se eu tivesse a mínima tendência suicida não teria me submetido à quimioterapia, podem ter certeza disso!!!!!
Sei que estou feliz. O ano começou bem, apesar dos benditos exames que me incomodam profundamente. Semana passada foi um tal de ir e vir de médico que dava gosto!!!! E acho que todo mundo que passa pela experiência que passei, quando sabe que tem exames a fazer, começa a ficar, literalmente, com “o cu na mão”. Não sou diferente de ninguém nem a pessoa mais corajosa do mundo. E fiquei aliviada quando os médicos disseram que está novamente tudo bem.
E minha felicidade depende muito de estar bem também de saúde. Queria como presente de aniversário que os resultados se mantivessem negativos, e isso aconteceu. E chegar aos 37 anos tendo passado duas vezes pelo câncer e despachado a doença em tempo recorde é um orgulho para mim. Orgulho esse que sempre terei ao pensar em como a gente descobre as forças mais escondidas quando precisamos. E essa força eu tive, para amanhã estar comemorando meu aniversário.
E que venham os 38, 39, 40... 70, 80, 90... Com saúde, eu quero viver é muito ainda! Portanto, podem se acostumar com isso, que daqui não pretendo sair tão cedo!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

2008 está acabando!!!!!!

Cheguei a desejar que esse ano acabasse o mais depressa possível, só para eu poder dizer que finalmente minha vida estava recomeçando. 2008 foi um ano paradoxal: ao mesmo tempo em que sofri demais, tive momentos maravilhosos, que nunca serão apagados de minha memória e menos ainda do meu coração.
Foi o ano em que o câncer resolveu voltar. E resolveu voltar com tudo, só para entrar em uma briga feia comigo. Voltou com toda sua crueldade, fazendo com que eu passasse por uma mastectomia, braquiterapia (é horrível, acreditem!) e quimioterapia (não desejo nem para o meu pior inimigo – que não tenho – o sofrimento que é passar por isso). Enfim, ele voltou, mas não foi para ficar. Do mesmo jeito que em 2003, eu o despachei com toda força, muito antes do tempo esperado quando recebi o diagnóstico. E, o mais importante de tudo, eu consegui vencê-lo sem perder o bom humor, a coragem de lutar, a garra que são características minhas. Tenho orgulho em dizer que enfrentei tudo com uma dignidade que eu mesma não imaginava existir em mim.
E, no meio desse turbilhão, resgatei amigos antigos e fiz novos, que foram extremamente importantes para minha recuperação. Acima de tudo, tive de meus pais o apoio que foi a base para que eu me curasse. Sem eles, não sei se eu teria agüentado tudo que passei. Também meus familiares estiveram sempre ao meu lado, fosse torcendo ou ajudando a cuidar de mim durante minha recuperação.
Perdi meus cabelos. Foi o pior de tudo durante esse ano, o momento em que acredito ter chegado ao fundo do poço e, ao mesmo tempo, ter saído dele. Porque sofri ao saber que ficaria careca e, quando me vi assim, percebi que meus cabelos eram tudo, menos a coisa mais importante que eu estava buscando: minha cura. E fiquei uma careca linda, as fotos estão aí para comprovar isso!!!!! Hoje já tenho cabelos, que estão ficando encaracolados: ironia para quem sempre teve o cabelo tão liso que nem grampo parava... risos...
Enfim, sofri mas venci. Ainda não terminou tudo, mas 2009 começa com bons presságios: meu aniversário já no dia 21, e a tão sonhada reconstrução mamária em março. Depois disso, é voltar ao trabalho e retomar minha vida. Se estou com medo? Nem um pouco, porque perto do que passei os novos desafios são nada. Espero manter em 2009 os amigos que fiz este ano, além de conquistar novos para meu já grande círculo. Ah, falta minha viagem ao Egito, mas essa ainda não sei quando vai ser. O importante é que EU SEI QUE VAI SER!
Que venha 2009 quente que eu já estou fervendo!!!!!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Fim de ano

Faltando apenas 20 dias para o Natal e pouco mais para o fim do ano, queria dizer algumas palavras para lembrar este momento importante em nossas vidas.
Cheguei a desejar que 2008 acabasse logo e que eu esquecesse esse ano, porque achava que nada nele havia para ser lembrado. E hoje, avaliando tudo que aconteceu, vejo que 2008 foi, apesar de tudo, um ano bom para mim. Foi o ano em que descobri estar novamente com câncer, porém em tempo perfeitamente hábil de ficar curada. Foi o ano em que resgatei antigas amizades perdidas por causa de tempo e distância, em que fortaleci amizades existentes, e em que confirmei, mais uma vez, que o amor e a força de minha família são as coisas mais importantes da minha vida.
Foi um ano de luta, em que houve momentos de desânimo e tristeza, momentos esses rapidamente superados pela minha inesgotável vontade de viver. 2008 foi o ano em que amigos me mostraram gestos extremamente carinhosos durante meu tratamento, pessoas surgiram em minha vida do nada, e hoje fazem parte dela sem nenhuma chance de eu esquecê-las.
Encerro 2008 ainda não totalmente recuperada, mas já totalmente curada. Agradeço a todos que me acompanharam em todos os momentos bons e ruins desse ano. Principalmente aos meus pais, que fizeram o possível e o impossível para que eu ficasse curada. A minha família, que também esteve sempre presente. Aos amigos reais, aos virtuais, aos companheiros de comemorações, aos meus familiares, a quem esteve comigo nesta difícil porém vitoriosa luta. Agradeço também aos meus médicos, que tanto fizeram para que eu hoje pudesse estar escrevendo essas palavras. E agradeço muito a Deus por me dar, pela segunda vez, uma chance de recomeçar e, se possível, de fazer valer ainda mais minha vida.
E desejo a todos vocês um Natal cheio do verdadeiro amor que o menino Jesus trouxe há 2008 anos. E que em 2009 vocês todos continuem fazendo parte da minha vida, e que eu possa fazer parte das suas. Que o Ano Novo traga a todos nós muita paz, amor, felicidade, e principalmente SAÚDE, para que possamos viver todos os dias da maneira mais plena possível!

Um enorme beijo a todos,

Andréa

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Primeira plástica

Finalmente chegou o dia da primeira plástica! Agora são 21H59 de domingo, e estou ansiosa esperando que a cirurgia seja feita logo, e ao mesmo tempo tranqüila, sabendo que tudo o que eu tinha de fazer está feito, e agora falta apenas o plástico fazer a parte dele.
Não vejo a hora de que tudo acabe. Quando digo tudo é tudo mesmo... Porque essa ainda é a primeira plástica, chamada de simetrização, e vai ser feita no seio esquerdo, que não teve nenhum problema. O médico fará uma redução de tamanho, para ficar proporcional ao seio que será refeito. Na mesma cirurgia o expansor do seio direito será preenchido, e mais para frente (ainda não sei quando) será modelado e finalizado.
Estou feliz de estar chegando nessa parte do tratamento. Sim, porque considero as plásticas como parte do tratamento, afinal, se não tivesse tido câncer, eu jamais estaria me submetendo a elas. Pelo menos espero que o resultado fique mais bonito ainda do que já era!!!! Beijos a todos!