Não gosto muito de ir ao Centro do Câncer, como tenho de ir hoje, mas faz parte do meu acompanhamento médico. O lado bom é rever as pessoas queridas que me acompanharam no tratamento e poder dar um oizinho na sala da quimioterapia. Faço questão de entrar em uma sala que muitos evitam após ter alta. Há seis anos eu entrava para receber a medicação, hoje entro para dar um beijo nas meninas que ainda estão ali, enquanto algumas estão em outros setores. Mesmo sem falar diretamente com os pacientes, tenho certeza de que a presença de uma pessoa curada ali lhes dá esperança. Essa foto foi tirada na minha última sessão de quimioterapia. Apesar de abatida, estava muito feliz. Então, presto aqui uma pequena homenagem a essas pessoas que sabem como cuidar de uma paciente com amor, paciência, carinho e respeito, fazendo com que cada um se sinta especial, e com mais vontade ainda de vencer essa doença tão triste.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Dia de Consulta
Não gosto muito de ir ao Centro do Câncer, como tenho de ir hoje, mas faz parte do meu acompanhamento médico. O lado bom é rever as pessoas queridas que me acompanharam no tratamento e poder dar um oizinho na sala da quimioterapia. Faço questão de entrar em uma sala que muitos evitam após ter alta. Há seis anos eu entrava para receber a medicação, hoje entro para dar um beijo nas meninas que ainda estão ali, enquanto algumas estão em outros setores. Mesmo sem falar diretamente com os pacientes, tenho certeza de que a presença de uma pessoa curada ali lhes dá esperança. Essa foto foi tirada na minha última sessão de quimioterapia. Apesar de abatida, estava muito feliz. Então, presto aqui uma pequena homenagem a essas pessoas que sabem como cuidar de uma paciente com amor, paciência, carinho e respeito, fazendo com que cada um se sinta especial, e com mais vontade ainda de vencer essa doença tão triste.
domingo, 16 de março de 2014
A beleza de doar felicidade
Cabelo. Parece uma palavra pequena e insignificante, mas para muitas
mulheres é o ponto principal de toda sua beleza. Se não estiver de acordo com o
que ela quer, pode arruinar seu dia. Se atender suas expectativas, pode
garantir um sorriso durante 24 horas. Por tudo isso, a perda dos cabelos entre
os pacientes de quimioterapia, quando acontece, na maioria das vezes causa um
choque muito grande, que deprime e até mesmo pode atrapalhar o bom andamento do
tratamento. Afinal, como se manter com otimismo, quando estamos nos sentindo
horríveis?
Falo isso por experiência. Quando tive câncer há seis anos, de tudo que
passei o que mais me derrubou foi a perda dos cabelos. Durante três meses
chorei muito sofrendo antecipadamente pelo momento em que, quer eu quisesse ou
não, os fios iriam começar a cair. Para minimizar o sofrimento, raspei a
cabeça. No mesmo minuto em que fiquei careca, toda a angústia se foi. Perto de tudo
que estava passando, perder os cabelos era “o de menos”. Mas não parecia assim.
Escrevo sobre isso porque, através de uma amiga que está com uma
adolescente de apenas 15 anos doente na família, conheci um grupo de
voluntários chamado Cabelegria, que doa perucas a quem não tem condições de
comprar uma para usar durante o tratamento. Há cerca de 15 dias comecei a notar
várias postagens em redes sociais do grupo, como fotos de pessoas – mulheres,
em sua maioria – de todas as idades, raças, classes sociais e lugares do Brasil
segurando um rabo de cavalo cortado e sorrindo. Foi então que descobri que o
Cabelegria, para fazer seu belo trabalho, recebe doações de cabelo de qualquer
tipo, mesmo que esteja com química. A única exigência é que os fios tenham pelo
menos dez centímetros de comprimento.
Ver as fotos dessas pessoas sorrindo abertamente, felizes com suas
doações, me deixou emocionada. Estamos tão acostumados a ler notícias sobre
crimes hediondos, corrupção, escândalos, brigas entre torcidas, enfim, tanta
coisa ruim, que quando nos deparamos com uma coisa tão bonita, muitas vezes,
sequer prestamos atenção a sua real importância.
Atitudes assim, em meio a tantas crueldades que hoje parecem ser
“normais” em nossa sociedade, me fazem ainda ter fé na humanidade. Os
voluntários do Cabelegria merecem todo nosso respeito. Somente quem já ficou ou
teve uma pessoa querida doente sabe o quanto a perda de cabelo é significativa.
Não é “o de menos”, nem “o principal”. Mas é parte do processo que muitos
precisam passar para ficarem curados. Quem tiver interesse em ajudar, seja com
cabelos ou outro tipo de doação, pode acessar https://www.facebook.com/cabelegria.
Os “carequinhas” de todo Brasil, com certeza, agradecem essa ação.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Dois meses sem Tamoxifeno
Dois meses sem Tamoxifeno. Mais exatamente, 67 dias sem o remédio que atormentou minha vida durante cinco anos com seus efeitos colaterais. Quais as mudanças percebidas?
Primeiro, fim das cãibras que me atacavam em qualquer horário, às vezes eu estando deitada imóvel. O calor infernal ainda continua, mas os fogachos diminuíram consideravelmente. Ainda continuo bem calorenta, mas sem aquelas ondas que me faziam até passar mal.
Não voltei a menstruar, portanto, meus hormônios ainda estão "perdidos". Nem sei se vou voltar ou se já entrei na menopausa, mas não me preocupo com isso. Para quem nunca quis ter filhos, não produzir óvulos é uma bênção.
Por fim, a vida melhorando. Sei que, após cinco anos, os efeitos ainda demorarão a sair do organismo. Mas aos poucos sei que tudo voltará ao normal com meu organismo. Minha cabeça já está muito melhor... agora, falta meu corpo atingir esse ritmo. Vamos trabalhar nisso!
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Tic Tac - belo apoio à campanha de prevenção ao câncer de mama!
O Tic Tac Brasil
me mandou a edição limitada rosa para apoiar a prevenção ao câncer de mama. O
mês está acabando, mas a conscientização deve continuar sempre. Aqui, as
queridas amigas da redação e da diagramação, que também apoiam a causa!
Obrigada, meninas!
E o pessoal da academia também entrou no espírito da
campanha de prevenção ao câncer de mama feita pelaTic Tac Brasil! Muito
obrigada meus queridos!
Tic Tac Brasil apoiando a prevenção ao câncer de mama!
domingo, 6 de outubro de 2013
Tempo para cuidar de si
Outubro chegou e mais uma vez vemos monumentos em todo mundo se
“vestindo” de rosa para lembrar a importância da prevenção ao câncer de mama. Segundo
tipo mais frequente no mundo, a doença é a mais comum entre as mulheres,
respondendo por 22% dos casos novos a cada ano. Se diagnosticado e tratado
oportunamente, o prognóstico é relativamente bom.
Porém, no Brasil, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam
elevadas, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estádios
avançados. Na população mundial, a sobrevida média após cinco anos é de 61%.
Apesar de todas as informações hoje disponíveis sobre o assunto, alguns
mitos ainda persistem, como a ideia de que a doença só atinge mulheres acima
dos 40 anos. Faço parte de alguns grupos de mulheres que tiveram câncer de mama
e já conheci algumas que foram atingidas pelo problema com menos de 25 anos.
Apesar de ainda ser relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta faixa
etária sua incidência cresce rápida e progressivamente.
O câncer – de qualquer tipo – é a doença mais democrática que conheço.
Ele atinge ricos, pobres, homens, mulheres, crianças, jovens, adultos e idosos,
brancos, negros, amarelos. Não faz distinção de raça, idade, condição social ou
gênero. Todos estamos sujeitos a ter essa doença.
Claro que existe a prevenção. Hábitos saudáveis com certeza diminuem o
risco de um câncer aparecer. Uma boa alimentação, exercícios físicos, não fumar
e não ingerir bebidas alcoólicas contribuem para se tentar evitar a doença.
Porém, não existe uma garantia 100% segura. Ninguém pode afirmar com absoluta
certeza que não vai ter a doença, mas podemos fazer nossa parte para evitá-la.
Falo isso porque ainda vejo muitas mulheres que não se preocupam com o
assunto, deixando de fazer exames periódicos, mesmo já tendo passado da faixa
etária dos 35 anos, ou até mesmo aquelas que tiveram casos de câncer de mama na
família. O interessante é que, quando converso com elas, a desculpa
invariavelmente é a mesma: falta de tempo e esquecimento.
Não concordo com essa justificativa. Arrumamos tempo para tingir nosso
cabelo quando os primeiros fios brancos aparecem, se for preciso fazemos o
cabeleireiro nos atender fora de seu horário para isso. Arrumamos tempo para
fazer as unhas, para a depilação, para as massagens estéticas, para a
ginástica. E como não arrumamos tempo para uma consulta anual ao ginecologista?
Se conseguimos tempo em nossa agenda semanalmente ou mensalmente para cuidarmos
de nossa aparência física, por que é tão difícil conseguir um horário no ano
para cuidarmos de nossos seios? Depois que o problema surge, infelizmente temos
bastante tempo – em tratamento – para pensar sobre o assunto.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
E a luta continua!
Começo outubro mais uma vez engajada em palestras e campanhas pela luta
contra o câncer de mama. E inicio o primeiro dia de outubro parando de tomar
Tamoxifeno, que pelos últimos cinco anos me acompanhou diariamente e, a
despeito de seus diversos e difíceis efeitos colaterais, impediu que eu tivesse
um terceiro tumor.
Diferente de muitas pessoas que preferem esquecer que tiveram câncer
quando se curam – decisão que eu respeito muito – eu preferi transformar minha
experiência em esperança a quem está doente. Por ter conseguido sobreviver ao
câncer duas vezes, acredito que estou qualificada a levar a esperança de cura a
muita gente.
Não acho que levar uma palavra positiva me faça uma pessoa melhor ou
pior que qualquer outra. Não me considero “guerreira” ou algo do gênero, aliás,
busco hoje fugir dessa imagem que se criou de que o doente de câncer tem de ser
uma pessoa positiva o tempo todo, como se nossas dores e tristezas tivessem de
ficar escondidas por serem encaradas como “fraqueza”. Até hoje tenho momentos
em que me pergunto “por que”, momentos esses em que busco nas orações o
conforto para o que não posso mudar.
Não vou citar dados de casos de câncer de mama. Apenas deixo a quem ler
essa postagem a mensagem para se cuidar muito bem. Para dedicar aos exames
preventivos o mesmo cuidado e disposição que se dedica à academia, ao
cabeleireiro, à manicure. Que a falta de tempo não seja desculpa para a não
realização de exames. E que o autoexame dos seios passe a ser algo frequente,
como o retoque que fazemos na tintura dos cabelos. Não é porque nosso seio não
está à vista que não deve ser lembrado.
Mais um Outubro Rosa começa com nossa luta para a prevenção ao câncer
de mama. Que os casos diminuam e a cura aumente. Esperança sempre!
terça-feira, 17 de setembro de 2013
100% Curada!
100% CURADA! Foram dez anos e meio, desde fevereiro de 2003,
quando tive câncer de mama a primeira vez, esperando as palavras "você
realmente está curada". Quando estava para ouvi-las em 2008, numa dessas
reviravoltas da vida, o câncer resolveu voltar com toda sua agressividade, para
me botar medo e mostrar que eu precisaria ser muito mais forte do que na primeira
vez. Somando os tratamentos de 2003 e 2008, foram 11 cirurgias, 33 sessões de
radioterapia, dez sessões de braquiterapia, oito sessões de quimioterapia.
Depois disso, mais cinco anos de um medicamento fortíssimo chamado Tamoxifeno,
que finalmente paro de tomar no dia 1º de outubro. A sensação hoje ao sair do
Centro do Câncer é indescritível. Acho que posso dizer que, se não é o dia mais
feliz, é um dos mais felizes da minha vida. A vontade é de sair gritando pelas
ruas "sim, eu consegui passar a barreira dos cinco anos sem o câncer
voltar!". Quem teve câncer sabe do que estou falando. E quem não teve
acredito que consiga sentir minha felicidade e entender o alívio que encheu
minha alma. Dormir sabendo que as chances de um retorno agora são mínimas,
praticamente as mesmas de uma pessoa que nunca ficou doente, é um presente de
Deus maravilhoso! E isso foi possível aos médicos fantásticos que me atenderam
e me curaram - meu mastologista João Valcir Pratti e minha quimioterapeuta Ana
Lúcia Leisner, além do radioterapeuta doutor Leonardo - aos meus pais, que
fizeram o possível e o impossível para que eu recuperasse minha saúde, aos meus
irmãos, minhas sobrinhas, minha família e meus amigos. Sou uma pessoa
privilegiada por ter tido tanto apoio, e ter conseguido ficar curada duas vezes
dessa doença terrível. E, claro, agradeço acima de tudo a DEUS, que me ajudou a
ter forças para passar por tudo isso com coragem! Por isso, as duas fotos
mostram o passado e o presente - com a certeza de muitos sorrisos no futuro.
Hoje o dia é de celebração à vida!
domingo, 25 de agosto de 2013
Prevenção é o melhor
Compartilho
com vocês a tabela de abordagens para prevenir o câncer, publicadas no livro
"Anticâncer: prevenir e vencer usando nossas defesas humanas", de
David Servan-Schreiber.
Para
se prevenir contra os desequilíbrios do meio ambiente você deve:
Evitar:
Lavagem de roupas por processos a seco com a substância percloroetileno.
Substituir
por: Lavar em casa com sabão líquido ou em pó.
Evitar:
Desodorante com alumínio.
Substituir
por: Desodorantes naturais sem alumínio.
Evitar:
Cosméticos com estrógeno ou hormônios placentários, parabenos e ftalatos.
Substituir
por: Produtos naturais sem parabenos e sem ftalatos.
Evitar:
Pesticidas e inseticidas químicos de uso doméstico.
Substituir
por: Pesticidas produzidos com óleos essenciais, ácido bórico ou terra
diatomácea.
Evitar:
Aquecer comida e líquidos em recipientes plásticos que contenham PVC ou em
copos de poliestireno e isopor.
Substituir
por: Recipientes de vidro ou de cerâmica inclusive, no forno de microondas.
Evitar:
Panelas de teflon arranhadas.
Substituir
por: Teflon com superfície intacta ou panela de aço inoxidável.
Evitar:
Produtos de limpeza que contenham alquifenóis.
Substituir
por: Produtos ecológicos, fabricados com vinagre branco ou bicarbonato de
sódio.
Para
ajustar a alimentação, reduzindo os promotores de câncer e incluindo o maior
número possível de compostos que lutam contra tumores você deve:
Evitar:
Alimentos com índice glicêmico alto, como açúcar, farinhas brancas, batata
inglesa, cereais de milho e arroz, entre outros.
Substituir
por: Frutas, farinhas integrais, batata doce e outros alimentos com índice
glicêmico baixo.
Evitar:
Laticínios convencionais ricos em ômega-6, óleos hidrogenados (de girassol, de
milho, de soja), batatas fritas, chips e salgadinhos.
Substituir
por: Azeite de oliva, óleo de linho, leite de soja, iogurte de soja, azeitona,
homus e tomate cereja como aperitivo.
Evitar:
Carne vermelha e pele de aves.
Substituir
por: Aves e ovos orgânicos, legumes, tofu e peixes (cavalinha, sardinha,
salmão).
Evitar:
Cascas de frutas e legumes que não sejam orgânicos.
Substituir
por: Frutas e legumes descascados, ou lavados, ou orgânicos.
Evitar:
Água de torneira nas regiões de agricultura intensiva, devido à presença de
nitratos.
Substituir
por: Água mineral ou de torneira filtrada com filtro de carvão ou osmose
invertida.
Compreender
e curar as feridas psicológicas que alimentam os mecanismos biológicos que agem
sobre o câncer.
E
façam bom proveito! Saúde para todos nós!
Fonte:
Patricya Travassos, GNT
domingo, 18 de agosto de 2013
Direitos dos pacientes com câncer
O câncer é uma doença enfrentada por significativa parte da população.
Não distingue quanto à raça, orientação sexual ou religiosa. É um problema
universal. Porém, a luta começa muitas vezes, antes do início do tratamento. No
Brasil, alguns remédios – sendo eles ligados ao tratamento de neoplasia maligna
– por terem alto custo, são negados pelo SUS (Sistema Único de Saúde). “É dever
do Estado garantir assistência médica e farmacêutica a todos os cidadãos, desde
que os medicamentos tenham sido indicados por médicos habilitados, exceto medicamentos
importados que tenham similares nacionais”, expõe a advogada Danielle Bitetti.
Os portadores de câncer possuem prioridade quanto ao requerimento
judicial de tratamento. “Além desses benefícios, o paciente com câncer, nos
termos da Lei nº. 8.922/94 e Decreto nº. 5.860/2006 tem direito ao saque do
saldo das contas do FGTS, sempre que necessário até a alta médica definitiva,
mediante demonstração do laudo e relatório médico que atestem a doença. Válido
destacar que os trabalhadores com dependentes portadores de câncer também
poderão se valer desse benefício” ressalta a advogada. Porém não são os únicos
que devem socorrer a este Poder, que assume a responsabilidade de fazer valer o
direito do cidadão à saúde.
O estresse desenvolvido por familiares e acompanhantes de portadores de
câncer é grande. O Estado tenta minimizá-lo por meio de alguns benefícios, que
atingem não só o doente, mas seus curadores também, como: a circulação livre –
não há, aos portadores, o impedimento de se locomover na cidade em horários
restritos a carros (desde que esse seja registrado), a isenção do imposto de
renda na aposentadoria, a compra de veículos com descontos e adaptados ao
paciente, o passe livre em transportes coletivos, cirurgia plástica reparadora
de mama (em redes do SUS).
“Com essas informações os portadores desta enfermidade aumentam sua
qualidade de vida. A luta dos pacientes contra os abusos cometidos serve como
um apoio significativo ao tratamento médico, uma vez que com a ‘briga’ pelos
seus direitos, a vontade de viver dos portadores da doença aumenta” conclui
Danielle.
Fonte: Porto, Guerra & Bitetti Advogados
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Fortalecendo estigmas
As redes
sociais e sites essa semana foram tomados por uma avalanche de notícias sobre a
atriz Mariana Ruy Barbosa, cuja personagem Nicole, na novela “Amor à Vida”, tem
câncer e, por conta disso, iria ficar careca durante o tratamento. A grande
discussão que tomou conta das redes e sites era: ela deve ou não ficar careca?
Para quem não sabe – eu mesma não sabia – Mariana tem longos cabelos ruivos,
que se tornaram “objeto de desejo” de milhares de mulheres em salões de beleza.
A atriz chegou, inclusive, a recusar R$ 1 milhão para tingir as madeixas, o que
demonstra sua preocupação com esse símbolo de feminilidade tão valorizado pelas
mulheres.
Não assisto
novela e nem sabia quem era Nicole até essa avalanche de notícias sobre ela
cortar ou não o cabelo. Porém, ao ler sobre o assunto e o drama que estavam
fazendo sobre o fato, fiquei pasma em ver como o estigma de uma pessoa ficar
careca por conta do câncer é extremamente forte em nossa sociedade. Para acabar
com a polêmica, o autor da novela, Walcyr Carrasco, anunciou então que ela não
vai mais raspar a cabeça, e que terá uma “história linda” na trama.
Poderia
falar aqui que a atriz mostrou total falta de profissionalismo agindo assim,
afinal, se sabia que sua paciente tinha câncer e iria ficar careca, não podia
no meio do caminho mudar de ideia. Mas se ela resolveu ser apenas mais um
rostinho bonito entre os globais, e não uma profissional como Carolina
Dieckmann – que não hesitou em raspar a cabeça em “Laços de Família”, em uma
cena que marcou na televisão brasileira – não é o ponto principal para mim.
O que me
deixou incomodada com o assunto foi o fortalecimento do estigma de que a mulher
com câncer, se já não bastassem todos os problemas da doença, ainda tem de
lidar com a perda dos cabelos, o que mexe bastante com sua autoestima. Milhares
de mulheres assistem novela, muitas delas passando pelo câncer nesse momento.
Ao invés de ajudá-las a superar esse estigma, o autor preferiu reforçar um
preconceito já existente.
Walcyr
Carrasco demonstra, com sua atitude, que ficar careca é a pior coisa do mundo.
"Belo" exemplo a tantas mulheres que passam por quimioterapia e,
diferente de uma novela, não têm a opção de manter seus cabelos. Um total
desserviço às mulheres que sofrem com essa doença que já tantos estigmas nos
traz! E falo "nos" porque, como ex-paciente de câncer de mama, sei
como é duro enfrentar a queda dos cabelos. Claro que não é o principal durante
o tratamento, até porque cabelo cresce de novo, mas ainda assim é um baque
tremendo, difícil de ser aceito e que nos deixa mais deprimidas ainda quando
estamos doentes. Walcyr Carrasco poderia ter feito a diferença, mas decidiu
fortalecer um estigma difícil de ser enfrentado.sábado, 6 de julho de 2013
Quatro anos de volta à rotina!
Há exatos
quatro anos, após um ano e três meses de licença médica, voltava a trabalhar na
redação do Liberal. De lá para cá passei por quase todas as editorias, e há
dois anos e meio, por indicação do meu chefe, Carlos Ventura, encontro-me hoje
na editoria de Cultura, que amo fazer. Passados quatro anos do retorno ao
trabalho - e consequente volta à vida normal depois de um câncer de mama -
posso dizer que sou feliz principalmente por saber que essa data significa,
acima de tudo, SAÚDE! Por isso que, nos plantões - como hoje - procuro estar
sempre de bom humor. Claro que é mais gostoso estar de folga em final de semana
e feriado, mas é infinitivamente melhor estar trabalhando do que doente na
cama. E sou feliz também porque trabalho em uma redação onde a amizade e mais
pura trairagem imperam, onde tenho bons amigos e, apesar da correria do dia a
dia, também me divirto. Que venham mais quatro, oito, dezesseis, trinta e dois
anos... todos com a mais perfeita saúde!
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Cinco anos após a quimio
Há exatos cinco anos, eu começava a fazer o tratamento mais difícil da minha vida, a quimioterapia. Costumo dizer que não desejo que nem meu pior inimigo - que eu não tenho - precise passar por isso, de tão horrível que é. O bom lado é que graças a ela eu me curei do câncer pela segunda vez. Também costumo brincar que quem faz quimio tem um "vale" lá no céu, e pode pecar bastante aqui na terra. Entre brincadeiras e seriedade, eu agradeço por existir esse tratamento que, se nos destrói fisicamente enquanto está sendo aplicado, salva milhares de vidas. Nesse mesmo dia também conheci minha querida amiga Aline, que há três nos deixou e virou uma estrela linda no céu. Por esses dois motivos, o Dia de São João tem um significado muito especial para mim. Que ele sempre nos cubra de bênçãos!
domingo, 19 de maio de 2013
Escolha difícil e salvadora
O assunto da
semana em quase todos os órgãos de comunicação foi a mastectomia dupla a qual a
atriz Angelina Jolie se submeteu há três meses, após descobrir, através de um
exame genético, que tinha 87% de chances de desenvolver um câncer de mama. Com
a cirurgia, ela não eliminou totalmente as possibilidades de vir a ter a
doença, mas reduziu o risco para apenas 5%. Em todas as mídias, vi matérias e
artigos sobre o assunto, a grande maioria com base científica e explicando
corretamente o procedimento, enquanto alguns buscaram apenas o sensacionalismo
barato para desmerecer a atitude dela em revelar o procedimento.
Como mulher
e ex-paciente do câncer de mama por duas vezes, acho que tenho um bom
conhecimento sobre o assunto. Tirar um seio, estando doente, foi uma das
decisões mais difíceis que tive de tomar em minha vida. Ou melhor, nem foi
decisão, porque os médicos já haviam dito que essa era minha única opção em
ficar curada. Mas eu tinha o direito de não fazer a mastectomia e continuar o
tratamento com radioterapia e quimioterapia. Claro que quis garantir o máximo
possível minha cura, e não hesitei em fazer a cirurgia. Foi triste? Muito, e só
quem passa por isso entende o sofrimento e as consequências de uma cirurgia
desse porte, que não se limitam ao aspecto físico.
Em muitos
dos textos que li e comentários sobre a decisão de Angelina, a tônica era a
mesma: um sentimento de despeito e até mesmo uma total falta de respeito com a
atriz, apenas por ela ser rica, famosa e bonita. Frases como “ela tem dinheiro,
coloca os seios que quiser depois”, “sendo rica do jeito que é, grande coisa,
se fosse uma pobretona do SUS (Sistema Único de Saúde) aí sim eu ia respeitar a
atitude”, “tirou para poder colocar silicone” (essa foi a mais ignorante de
todas!), mostram claramente que, por ser quem é, Angelina é uma pessoa que não
pode ter problemas e, se os têm, não pode sofrer por ter dinheiro.
A decisão da
atriz em tornar público seu procedimento – que inclusive já é feito no Brasil –
mostra para mim que, como qualquer mortal, Angelina tem seus problemas, seus
sofrimentos, suas decisões difíceis. O fato de ter dinheiro não a torna imune
às dificuldades da vida. A atriz viu sua mãe morrer aos 56 anos por causa de um
câncer. Por que então não se prevenir disso? Com certeza, evitar 100% ela não
pode, ou melhor, ninguém pode. Mas não nos prevenimos todos os dias contra mil
coisas, mesmo sabendo que outras podem acontecer? Ou vamos de encontro ao
risco, ou invés de evitá-lo quando conhecemos as chances de algo ruim
acontecer? Angelina evitou seu risco. Se vai ficar doente, somente o futuro
dirá. Mas ela, em um primeiro momento, fez a sua parte. Se fosse eu, com
certeza, teria feito a mesma coisa.
domingo, 7 de abril de 2013
Sono e atividade física ajudam a prevenir o câncer
Pesquisas apontam que o sono é tão importante para a saúde como a
prática de exercícios físicos
Dia 8 de abril é o Dia Mundial do Combate ao Câncer. A data, instituída
pela OMS (Organização Mundial da Saúde), tem por objetivo conscientizar as
pessoas quanto à importância da adoção de hábitos mais saudáveis, com foco na
prevenção desta que é uma das doenças que ainda mais mata no mundo.
No Brasil, dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer José Alencar
Gomes da Silva), válidos para o período de 2012 a 2013, estimaram o surgimento
de cerca de 520 mil novos casos só no ano passado. Neste estudo, foi constatado
também que os tipos de cânceres mais incidentes nas regiões brasileiras são os
de pele não melanoma, próstata, mama e pulmão. A alimentação desregrada, o
cigarro, a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas e a exposição prolongada ao
sol são alguns dos fatores que mais contribuem para o desenvolvimento da
doença.
Mas a adoção de algumas medidas bem simples e rotineiras pode ser o
primeiro passo para evitar este mal. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto
Nacional do Câncer, nos Estados Unidos, um sono de qualidade, aliado à prática
regular de atividades físicas, desempenha papel fundamental na prevenção da
doença. O estudo realizado durante dez anos com quase seis mil mulheres,
revelou que aquelas que praticavam exercícios físicos constantemente
registraram uma probabilidade 25% menor de desenvolver qualquer tipo de câncer.
No entanto, entre estas mesmas voluntárias que praticavam atividades regularmente,
a ausência do sono reparador elevou para 47% o risco de exposição à doença.
A teoria levantada pelos cientistas para explicar a importância do
repouso noturno diz respeito ao envelhecimento celular, uma vez que quem dorme
pouco antecipa esse fenômeno, predispondo o organismo a inúmeras doenças, entre
elas, os tumores malignos.
De acordo com a Consultora do Sono da Duoflex, Renata Federighi,
durante a noite, as células precisam repousar completamente para não perder sua
eficiência e sofrer mutações que são as causas para o aparecimento de um
câncer. “A pesquisa americana também evidencia que os treinos estimulam o
sistema imunológico e diminuem a incidência de inflamações pelo corpo. Já,
poucas horas de repouso atuam no sentido inverso, prejudicando as defesas do
organismo e favorecendo quadros inflamatórios vulneráveis a tumores”, explica.
Embora a necessidade das horas de sono seja uma característica
individual, a média da população adulta necessita de sete a oito horas de sono
diárias para que haja um reparo das funções do organismo, já que, dormir não é
apenas uma necessidade de descanso mental e físico. “É durante o sono que
ocorrem vários processos metabólicos que, se alterados, podem afetar o
equilíbrio de todo o organismo a curto, médio ou em longo prazo”, acrescenta a
consultora.
FONTE: DUOFLEX
sábado, 6 de abril de 2013
Cinco anos...
Há cinco anos, no dia 5 de abril, num sábado, eu iniciava pela segunda vez uma luta contra o câncer de mama. Lembro do momento exato em que meu pai, encostado na pia, me dizia que meu exame havia detectado um nódulo no seio direito, o mesmo onde cinco anos antes eu já havia tirado uma lesão cancerosa. Lembro também do meu desespero em saber até então que a doença podia estar voltando, fato que só foi confirmado 11 dias depois, após a remoção do nódulo e biópsia.
Passados cincos anos, oito cirurgias, dez sessões de braquiterapia, oito quimios, estou aqui viva, saudável, chegando a mais cinco anos sem o câncer e, principalmente, FELIZ!
Esquecer as datas seria como esquecer a história que me fez chegar aqui. E lembrar a data me faz lembrar a bênção que tive ao vencer o câncer pela segunda vez. Depois disso tudo, passei a viver mais ainda intensamente todos os meus sonhos, e a me mostrar, diariamente, grata a Deus, a minha família, aos amigos e médicos que cuidaram de mim por ter conseguido ficar curada.
Celebro hoje não cinco anos da volta da doença, mas cinco anos do presente de uma terceira chance na vida, porque a primeira ganhamos quando nascemos, e Deus me deu mais duas ainda. Espero, com elas, poder fazer o meu melhor.
Passados cincos anos, oito cirurgias, dez sessões de braquiterapia, oito quimios, estou aqui viva, saudável, chegando a mais cinco anos sem o câncer e, principalmente, FELIZ!
Esquecer as datas seria como esquecer a história que me fez chegar aqui. E lembrar a data me faz lembrar a bênção que tive ao vencer o câncer pela segunda vez. Depois disso tudo, passei a viver mais ainda intensamente todos os meus sonhos, e a me mostrar, diariamente, grata a Deus, a minha família, aos amigos e médicos que cuidaram de mim por ter conseguido ficar curada.
Celebro hoje não cinco anos da volta da doença, mas cinco anos do presente de uma terceira chance na vida, porque a primeira ganhamos quando nascemos, e Deus me deu mais duas ainda. Espero, com elas, poder fazer o meu melhor.
terça-feira, 26 de março de 2013
Seis meses de liberdade
Há pouco mais de 20 dias escrevi aqui que iria fazer meus primeiros exames do ano e que dessa vez estava com medo. Penso que muitas vezes, quando tudo está indo bem, começamos a temer que algo dê errado. Talvez esse sentimento seja comum a pessoas que tiveram câncer, por isso estava apreensiva.
Depois de feitos os exames, hoje fui levar os resultados a minha quimioterapeuta. Doutora Ana já entrou na sala sorrindo, perguntando o que eu estava fazendo que havia emagrecido dois quilos. Para quem estava acompanhando minha subida estratosférica na balança, ver os quilos diminuírem deve ser uma satisfação, afinal, ela me conhece há cinco anos, e desde então me pedia para emagrecer, pedido esse que acaba sendo sempre ignorado.
Mas a melhor notícia de todas veio quando ela disse que eu volto agora apenas em setembro. Para quem estava fazendo exame de três em três meses até o ano passado, ampliando depois o prazo para quatro, a mudança para seis é como um salto entre um continente e outro. Isso ainda veio acompanhado da possibilidade de, a partir de outubro, quando se completam cinco anos da minha alta, esse prazo ser ampliado para apenas uma visita anual ao Centro do Câncer.
Estou imensamente feliz em saber que tenho seis meses de total liberdade pela frente, sem ter de pensar em exames. E mais feliz ainda em constatar que essa ampliação significa menos chances de a doença voltar. Sem desmerecer ninguém, mas só quem teve câncer consegue dimensionar a importância disso. Ao sair do Centro, meus olhos estavam marejados - como estão agora - mas de lágrimas de muita felicidade. Só posso agora dizer uma coisa: obrigada, meu Deus, por mais essa maravilhosa bênção em minha vida!
domingo, 3 de março de 2013
Primeiros exames do ano
Não tem como esquecer que em 2008, quando estava chegando aos cinco anos tão esperados, o câncer voltou com toda a força. E isso me dá medo. Um medo talvez até irracional de que novamente a doença retorne quando fizer cinco anos de cura. Mas ao mesmo tempo um medo compreensível, afinal, quem já passou por isso apenas uma vez entende muito bem o que sinto. Quem passou duas, então, pode chorar comigo.
Eu deveria estar acostumada, afinal, faço exames a cada quatro meses, e raramente falo que tenho medo. Costumo brincar que posso morrer de qualquer coisa, menos de câncer. De setembro para cá mudei minha vida em muitos aspectos para me fortalecer e evitar que a doença volte: emagreci, reduzi bastante o consumo de álcool (não que eu bebesse todos os dias, mas uma cervejinha nunca era recusada), quase não como mais farinha branca, e passei a fazer exercícios seriamente. Ainda assim, volta e meia me pego pensando o que mais eu posso fazer para ter certeza de que o câncer não vai retornar.
E aí mora a raiz do medo: não existe nada que me garanta 100% que ele não vai voltar. Mesmo tomando Tamoxifeno, ele pode voltar. Mesmo não bebendo, comendo tudo o mais correto possível, me exercitando, ele pode voltar. O câncer, infelizmente, é uma doença "democrática". Ele não distingue cor, classe social, idade, sexo. Assim como eu, que tive câncer de mama aos 31 e aos 36 anos, tem criança com a doença, tem adulto, jovem, idoso. São outros tipos da doença, mas ainda assim é câncer. E a democracia que a doença tem não nos permite muito questionar "por que eu?". Sempre acreditei que tinha de ser eu, e ponto. Até porque, em outros aspectos, Deus me deu muitas coisas boas, e nunca me perguntei por que eu merecia benefícios.
Agora é torcer para que amanhã tudo continue bem. Já estou com a lista de exames separados, os anteriores na pastinha, a cabeça preparada para a famosa agulhada do exame de sangue que tanto me apavora, porque tenho fobia de agulha. Como sempre, sei que vou fazer tudo em umas duas horas, passar no café da Edna e me dar de presente um pão de queijo e um expresso depois da bateria. Meu alívio já deve começar amanhã mesmo, quando pego os resultados de ultrassom. E, se Deus quiser, vou continuar com os exames limpos, pelo menos do câncer, para o resto da minha vida.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Dez anos depois...
Nesta última terça-feira lembrei que fazia exatamente dez anos que tinha recebido a notícia do meu primeiro câncer de mama. De lá para cá foram três cirurgias, 33 sessões de radioterapia, uma recidiva, oito cirurgias, oito sessões de quimioterapia e dez de braquiterapia. Saldo total: uma mulher curada.
E que a cura seja para sempre, que eu não estou pronta para outra... risos...
O mais importante desses dez anos: ter câncer não me tornou uma pessoa infeliz. Ter tirado um seio não fez de mim uma mulher menos vaidosa. Sofrer os efeitos do Tamoxifeno não me transformou em uma pessoa revoltada. Sou uma pessoa lutadora, assim como milhares de outras que enfrentam essa doença. O câncer me fez sim uma pessoa melhor, mas não melhor que ninguém. E continuo em busca do meu melhor, sempre levando uma mensagem de otimismo quando posso a quem está passando por essa doença difícil. Talvez Deus tenha me mostrado, através disso tudo, que acima de tudo o importante é tentar ser feliz, não importa o quanto a vida tenha sido dura. E estou tentando ser feliz, ao meu modo.
Dez anos de uma mudança inesperada em minha vida, que hoje não me machuca nem entristece mais.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Sete cuidados para prevenir o câncer
Especialistas indicam hábitos capazes de evitar os tipos mais comuns da doença
FERNANDO
MENEZES
O tratamento
contra o câncer é um dos mais desgastantes. Família e paciente sofrem durante
meses, às vezes por vários anos, até controlar a doença. Fatores genéticos são
historicamente conhecidos como causas do problema, a novidade da Medicina mais
recentemente é o peso que seus hábitos têm no desenvolvimento de um tumor.
"Manter uma alimentação saudável e praticar exercícios físicos fazem bem
para a saúde de maneira geral e isso inclui a prevenção de vários tipos de
câncer", afirma o oncologista Hezio Jadir Fernandes Jr, diretor do IPC (Instituto
Paulista de Cancerologia). "O segredo está em identificar os cuidados
específicos para cada tumor".
Veja as
dicas dos especialistas para diminuir os riscos dos principais tipos da doença.
Câncer de
mama
Tipo de
câncer mais comum em mulheres, com exceção do câncer de pele, o câncer de mama
corresponde a 28% dos tumores no sexo feminino. Segundo a oncologista Ana
Ramalho, coordenadora da divisão de atenção oncológica do Inca (Instituto
Nacional do Câncer), os exames preventivos, como a ressonância da mama e a
mamografia, têm um papel importante na prevenção e devem ser feitos uma vez a
cada dois anos, após os 40 anos de idade. "Quando a mulher chega aos 50,
deve realizar pelo menos um desses exames anualmente, além de fazer o autoexame
de toque toda a semana", afirma a especialista.
Outro hábito
simples tem se mostrado eficaz na hora de prevenir o câncer de mama. "Para
as mulheres que estão pensando em ter filhos, um bom conselho é amamentar o
bebê pelo menos durante o primeiro ano de vida. Estudos mostraram que esse
hábito, além de trazer inúmeros benefícios para o bebê, pode diminuir em até 5%
as chances de ter câncer de mama", explica.
Câncer de
próstata
De acordo
com o último levantamento feito pelo Inca, o câncer de próstata é o segundo
tipo que mais atinge homens, correspondendo a 30% dos casos registrados.
"Fazer o exame de toque retal ou ultrassom da próstata, anualmente, a
partir dos 40 anos é fundamental", afirma o urologista José Roberto Colombo,
especialista do Minha Vida.
Outra medida
apontada pelo o especialista é aumenta a ingestão de tomates, principalmente em
versão quente, como no molho vermelho. "O tomate tem uma substância
chamada licopeno que, além de dar a cor avermelhada à fruta, também age como
preventivo contra o câncer de próstata".
Câncer de
pulmão
Esse tipo de
câncer é o mais comum de todas as neoplasias malignas e apresenta um aumento de
2% ao ano na incidência mundial. "Aproximadamente 90% de pacientes que
foram diagnosticados com câncer de pulmão fumam ou já fumaram. Esse dado já
mostra que a melhor maneira de se prevenir é não fumar ou largar o cigarro o
mais rápido possível", afirma o oncologista Artur Katz, do Hospital Sírio
Libanês, líder da pesquisa “Câncer de Pulmão: a Visão dos Pacientes”.
De acordo
com o pneumologista Ricardo Meirelles, da Divisão de Controle de Tabagismo do Inca,
a região sul do Brasil é onde o câncer de pulmão afeta mais pessoas. "É lá
também que o hábito de fumar e consumir outros produtos derivados do tabaco é
mais comum", explica.
Cavidade
oral e laringe
Mesmo que os
casos desse tipo de câncer sejam mais comuns em homens, as mulheres também
precisam ficar atentas e evitar alguns hábitos que causam diretamente a doença.
"Os principais fatores de risco para o câncer da cavidade bucal são o
fumo, o consumo de álcool e infecções bucais por HPV. Sozinho, o tabagismo é
responsável por cerca de 42% das mortes por esse tipo de câncer. Já o
alcoolismo intenso é responsável por 16% das mortes", afirma o oncologista
Fernando Luiz Dias, coordenador da seção de cabeça e pescoço do Inca.
O tabagismo
e o consumo de álcool têm efeitos ainda mais devastadores juntos. "Estudos
apontam que, juntos, o fumo e a bebida aumentam em 30 vezes o risco para o
desenvolvimento do câncer da cavidade oral e laringe", diz o oncologista
Fernando Luiz Dias.
Colo do
útero
Tirando o
câncer de pele não melanoma, o câncer de colo de útero é o que apresenta maior
percentual de prevenção e cura. "Para diminuir esse tipo de câncer, dois
hábitos se mostram bastante eficazes: o uso de preservativos e fazer o exame
Papanicolau todos os anos", afirma o oncologista Hezio Jadir Fernandes Jr,
diretor do IPC.
Segundo o
especialista, o vírus do HPV é um dos principais causadores do câncer de colo
de útero. Para se proteger, basta usar preservativos e controlar o número de
parceiros sexuais. "O começo da vida sexual está cada vez mais precoce.
Isso favorece o aparecimento do vírus do papiloma humano e, consequentemente, o
câncer de colo de útero", explica. Como a vacinação contra HPV ainda não
está disponível a todos, o uso do preservativo ainda é a melhor forma de
prevenção. Já o exame Papanicolau é a maneira mais eficiente de encontrar esse tipo de câncer no estado inicial. "Nessa fase, o problema é facilmente tratado. Por isso, as mulheres que tem vida sexual ativa devem fazer esse exame esse exame pelo menos uma vez por ano", explica o oncologista.
Câncer de
pele
Considerando
todas as variações possíveis, o câncer de pele é o mais comum, tanto em homens
como em mulheres. Por outro lado, ele também é o que possui o maior índice de
cura, se descoberto em estágio inicial, e o mais fácil de prevenir. "O
câncer de pele está diretamente ligado à exposição demasiada ao sol. Por isso,
as duas melhores maneiras de se prevenir estão ligadas a este hábito",
explica o dermatologista Claudio Mutti, especialista em cirurgia oncológica
pélvica pelo Instituto de Controle do Câncer.
Segundo o
dermatologista o protetor solar é o maior aliado na prevenção do câncer de
pele. A aplicação deve ser feita cerca de 30 minutos antes da exposição ao sol
e o produto deve ser aplicado no corpo todo, especialmente nas áreas mais
expostas ao sol, como face, pescoço, colo e braços. "É nessas áreas que o
câncer de pele é mais frequente", explica. Outra medida importante é evitar sair no período de pico do sol, entre 10 e 16 horas. "Mesmo usando protetor solar, é importante evitar se expor aos raios solares nesse período de sol forte", explica Claudio Mutti.
Cólon e reto
"Uma
alimentação balanceada, com baixo teor calórico, rica em frutas, fibras e
legumes, associada a hábitos saudáveis como a prática de atividade física, pode
reduzir 37% desse tipo de tumor", diz o nutricionista Fábio Gomes,
especialista da área de nutrição do Inca. O especialista ainda lembra que a
ingestão excessiva e prolongada de bebidas alcoólicas também pode ser um fator
de risco para esse tipo de câncer.
FONTE: MINHA
VIDA
domingo, 27 de janeiro de 2013
Reconstrução mamária imediata com músculo dorsal é segura, aponta tese
Procedimento
não traz complicações pós-cirúrgicas e promove benefícios à qualidade de vida
das mulheres
Isabel
Gardenal
O câncer de
mama, dependendo do seu grau de comprometimento, pode demandar uma intervenção
cirúrgica como a mastectomia, para retirada total da mama, associada ou não à
remoção dos gânglios linfáticos da axila. Ela pode estar ainda associada à
cirurgia plástica para reconstrução mamária, conforme indicação médica. Em
termos de funcionalidade física, é normal haver redução da movimentação do
braço após a mastectomia, mas ainda não se sabia com certeza o quanto uma
reconstrução poderia repercutir ou adicionar prejuízos à mobilidade dessas
mulheres.
Um estudo de
doutorado da FCM (Faculdade de Ciências Médicas), defendido dentro do Programa
de Pós-Graduação em Tocoginecologia pela fisioterapeuta Riza Rute de Oliveira,
demonstrou que a reconstrução mamária imediata (ela também pode ser feita meses
depois) com músculo grande dorsal (retirado da região das costas e que atua no
braço) é segura do ponto de vista de sua movimentação, não traz complicações
pós-cirúrgicas e promove benefícios à qualidade de vida das mulheres.
Essas
conclusões foram possíveis graças a uma avaliação de 104 mulheres
mastectomizadas, das quais 47 se submeteram à reconstrução imediata com músculo
grande dorsal associado à prótese de silicone no Hospital da Mulher Prof. Dr.
José Aristodemo Pinotti Caism, enquanto outras 57 passaram unicamente por
mastectomia.
A pesquisa
apontou que não houve perda funcional do braço e que o procedimento pode ser
uma boa opção de reconstrução. Segundo o oncologista Luis Otávio Zanatta
Sarian, orientador da tese, hoje há três tipos mais usuais de reconstrução: a Tram,
que utiliza músculo da barriga; a Grande Dorsal, que emprega músculo das
costas, e o expansor ou prótese.
Seguimento
Os estudos
da literatura até então traziam metodologias retrospectivas de baixa qualidade
e sem uma perspectiva longitudinal. Também as casuísticas eram muito menores e,
na maioria, norte-americanas e europeias. O Brasil ainda não tinha dado sua
contribuição.
No Caism, a
reconstrução com o grande dorsal passou a ser a mais utilizada, permitindo a
elaboração de um estudo longitudinal que respondeu algumas dúvidas sobre este
tipo específico de reconstrução.
A doutoranda
fez um estudo prospectivo entre 2007 e 2010, no qual foram incluídas todas as
mulheres com até 70 anos submetidas à mastectomia no hospital, acompanhadas até
um ano após o procedimento e avaliadas no pré-operatório, semanalmente até
completar um mês e novamente aos três, seis e 12 meses.
Nesses
períodos, verificou-se como se comportava a movimentação do braço, as complicações
pós-operatórias e a qualidade de vida entre quem fazia reconstrução mamária
imediata e quem não fazia.
Para avaliar
a movimentação do ombro, foi adotado um goniômetro para medir a flexão
(elevação frontal do braço) e a abdução (elevação lateral do braço) –
movimentos mais usados no dia a dia. A pesquisadora explica que pessoas livres
da doença têm amplitude completa de 180º tanto para flexão quanto para abdução.
No
pré-operatório, a maioria das pacientes tinha o movimento de 180º completo. Mas,
na primeira semana após a cirurgia, perdia-se essa amplitude, ficando com os
movimentos em torno de 135º ou 145º.
Durante o
primeiro mês após a cirurgia, todas as mulheres integravam um programa de
fisioterapia para o braço no Caism, que consistia de 19 exercícios
protocolados, conduzidos em grupo, que incluíam alongamentos, exercícios para o
ombro e que finalizavam com relaxamento.
Após um mês,
elas atingiam uma recuperação entre 150º e 160º, e muitas conseguiam realizar a
maioria das atividades. “Todas as mulheres eram então orientadas a praticar
diariamente os exercícios em casa, para manter a amplitude atingida ou
recuperar o restante”, expõe a doutoranda. Mas, em caso de necessidade, o
atendimento fisioterapêutico podia prosseguir.
Riza
dimensiona que é muito importante que elas recuperem a movimentação inclusive do
ombro pela independência física e pela necessidade de continuar o tratamento do
câncer. Muitas delas necessitam passar por radioterapia, e o seu posicionamento
durante este procedimento exige manter o braço aberto.
Alguns
resultados não tardaram a surtir efeito. Mesmo não havendo diferença
estatisticamente na recuperação do movimento entre os grupos, as mulheres
reconstruídas tiveram uma recuperação um pouco melhor e menos complicações
pós-operatórias do tipo deiscência cicatricial (quando a cicatriz abre) e
aderência tecidual do que as só mastectomizadas.
A qualidade
de vida delas foi avaliada a partir do questionário WHO-QOL 100 (World Health
Organization – Quality of Life), contendo 100 questões, divididas em domínios
ou áreas: domínio psicológico, físico e do nível de dependência, entre outros.
Por meio dele, notou-se que mulheres reconstruídas tiveram melhor pontuação nos
aspectos psicológicos e apresentaram nível de independência equivalente ao das
outras mulheres (todas foram capazes de fazer as mesmas atividades nos dois
grupos).
Realidade
De acordo
com Luis Otávio, a reconstrução mamária no Brasil deve se tornar uma
obrigatoriedade nos serviços de referência no tratamento desse câncer. “Os
impactos benéficos, já testados, contribuíram muito para a qualidade de vida
das pacientes”, diz.
Por outro
lado, aspectos técnicos da mobilidade da mulher e de sua capacidade de realizar
funções do dia a dia não tinham sido avaliados da maneira metodologicamente
correta. Havia apenas estudos indicando complicações sobre a biópsia de
linfonodos-sentinelas (o primeiro gânglio linfático a drenar o sítio do tumor),
mas nenhuma abordando a reconstrução mamária.
Esse estudo
foi inédito e avaliou ao longo do tempo a recuperação do movimento das mulheres
submetidas à reconstrução imediata, uma das fases mais delicadas na decisão da
paciente, por mexer com grande parte da musculatura que exerce influência sobre
o braço e os ombros.
Mas, a
despeito dos benefícios que o procedimento promove, há contraindicações à
reconstrução imediata em estágios muito avançados da doença. Outro percalço é a
rejeição decorrente de complicações, apesar de mínima (que depende do tipo de
reconstrução). A própria prótese de silicone pode ser um empecilho.
Quando é
efetuado um retalho, em que se tira a pele e o músculo de uma região para
recolocar em outra, essa transferência pode levar à necrose e a infecções.
Conforme o Food and Drugs Administration (FDA), o índice de infecção em
implantes de silicone é de 1% a 2%, em um intervalo pós-operatório de um ano.
Neste
momento, estão saindo novas normatizações no Brasil preconizando que os
tratamentos de câncer de mama pelo SUS vão ter obrigatoriedade de oferecer as
reconstruções mamárias. Hoje, alguns serviços, como o Caism, já financiam as
próteses.
Evolução
Segundo tipo
mais comum, após o câncer de pele, o câncer de mama entre as mulheres responde
por 22% dos casos novos a cada ano (a estimativa do Instituto Nacional do
Câncer foi de 52.680 casos novos no país em 2012 e a sobrevida média após cinco
anos é de 61%) A sua incidência está aumentando e isso se atribui às mulheres
que estão tendo menos filhos, mais tardiamente e vivendo mais.
“As taxas de
mortalidade continuam elevadas porque a doença é diagnosticada em estádios mais
avançados”, lamenta o oncologista. Relativamente raro antes dos 35 anos, acima
desta idade sua incidência cresce rapidamente. As mulheres que têm filhos
depois disso têm um risco em torno de 50%, todavia não significa que
desenvolverão a doença.
É mais
suscetível a mama que fica por maior tempo sem cumprir o seu completo
desenvolvimento, que ocorre quando a mulher fica grávida. Para esse tipo de
câncer há ainda a influência de fatores ligados ao ambiente, como a obesidade,
contudo em especial conta muito o fato de as pessoas viverem mais.
Quase todos
os cânceres, pontua Luis Otávio, têm relação com a idade, tanto que, quanto
mais tempo se vive, mais chances há de desenvolvê-los, isso tanto em países
desenvolvidos quanto em desenvolvimento. As mulheres diagnosticadas
precocemente, salienta, têm uma probabilidade de sobreviver ao câncer de mama
em mais de 95% dos casos, porque os tratamentos atuais e as tecnologias vêm
sendo efetivos. Entretanto, as condutas terapêuticas variam.
A priori o
tratamento do câncer pode ser cirúrgico e depois medicamentoso. Em algumas
situações, indica-se quimioterapia, em outras bloqueador hormonal e em outras
ainda a mulher pode receber anticorpos contra proteínas que o câncer produz.
Até o
momento não se fala de vacinas. A última palavra em medicamento é o herceptin
(nome comercial), distribuído pelo SUS. Mais ou menos 30% das mulheres são
tratadas com essa droga, que produz involução dos tumores. No câncer avançado,
mostrou que auxilia no controle da doença, prolonga a sobrevida e melhora a
qualidade de vida das mulheres, passando a ter menos sintomas, hospitalizações,
etc.
Riza
relembra que a mama representa funções elementares: a feminilidade das
mulheres, a sexualidade e a maternidade; e que a sua extirpação afeta sobretudo
a sexualidade, pois a maior parte delas nessa fase já ultrapassou a fase da
maternidade, o que vem a prejudicar mais a sua imagem corporal.
Já alguns
tipos de câncer de mama atingem mulheres na faixa dos 30 anos, em função de um
componente familiar, e em torno de 85% esporadicamente, partindo de alterações
adquiridas com o tempo, depois dos 50 anos. São de motivação epidemiológica,
pela exposição a uma causa que não se sabe ao certo. Agora, uma mulher que teve
dez filhos, menarca tardia, menopausa precoce e que não é obesa também pode ter
esse câncer, embora não seja a situação mais comum.
Referência
Para cada
tipo de mama, existe um tipo ideal de reconstrução. No Caism ela é feita pelos
oncologistas com os cirurgiões plásticos – a equipe de Oncoplástica. Além dos
vários profissionais, o hospital tem um serviço que é, dentro do interior do
Estado, o que mais recebe casos de câncer de mama, o que qualifica a
assistência, acredita Luis Otávio. O atendimento ambulatorial acontece
diariamente. A mulher é encaminhada pela rede de saúde. Esse serviço oferece
todos os tipos de reconstrução mamária, consoante à necessidade da mulher.
Tese:
“Amplitude de movimento do ombro, complicações pós-operatórias e qualidade de
vida de mulheres submetidas à mastectomia e reconstrução mamária imediata”
Autora: Riza
Rute de Oliveira
Orientador:
Luis Otávio Zanatta Sarian
Unidade: FCM
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