quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Dez anos depois...



Nesta última terça-feira lembrei que fazia exatamente dez anos que tinha recebido a notícia do meu primeiro câncer de mama. De lá para cá foram três cirurgias, 33 sessões de radioterapia, uma recidiva, oito cirurgias, oito sessões de quimioterapia e dez de braquiterapia. Saldo total: uma mulher curada.
E que a cura seja para sempre, que eu não estou pronta para outra... risos...
O mais importante desses dez anos: ter câncer não me tornou uma pessoa infeliz. Ter tirado um seio não fez de mim uma mulher menos vaidosa. Sofrer os efeitos do Tamoxifeno não me transformou em uma pessoa revoltada. Sou uma pessoa lutadora, assim como milhares de outras que enfrentam essa doença. O câncer me fez sim uma pessoa melhor, mas não melhor que ninguém. E continuo em busca do meu melhor, sempre levando uma mensagem de otimismo quando posso a quem está passando por essa doença difícil. Talvez Deus tenha me mostrado, através disso tudo, que acima de tudo o importante é tentar ser feliz, não importa o quanto a vida tenha sido dura. E estou tentando ser feliz, ao meu modo.
Dez anos de uma mudança inesperada em minha vida, que hoje não me machuca nem entristece mais. 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Sete cuidados para prevenir o câncer



Especialistas indicam hábitos capazes de evitar os tipos mais comuns da doença

FERNANDO MENEZES

O tratamento contra o câncer é um dos mais desgastantes. Família e paciente sofrem durante meses, às vezes por vários anos, até controlar a doença. Fatores genéticos são historicamente conhecidos como causas do problema, a novidade da Medicina mais recentemente é o peso que seus hábitos têm no desenvolvimento de um tumor. "Manter uma alimentação saudável e praticar exercícios físicos fazem bem para a saúde de maneira geral e isso inclui a prevenção de vários tipos de câncer", afirma o oncologista Hezio Jadir Fernandes Jr, diretor do IPC (Instituto Paulista de Cancerologia). "O segredo está em identificar os cuidados específicos para cada tumor".
Veja as dicas dos especialistas para diminuir os riscos dos principais tipos da doença.

Câncer de mama

Tipo de câncer mais comum em mulheres, com exceção do câncer de pele, o câncer de mama corresponde a 28% dos tumores no sexo feminino. Segundo a oncologista Ana Ramalho, coordenadora da divisão de atenção oncológica do Inca (Instituto Nacional do Câncer), os exames preventivos, como a ressonância da mama e a mamografia, têm um papel importante na prevenção e devem ser feitos uma vez a cada dois anos, após os 40 anos de idade. "Quando a mulher chega aos 50, deve realizar pelo menos um desses exames anualmente, além de fazer o autoexame de toque toda a semana", afirma a especialista.
Outro hábito simples tem se mostrado eficaz na hora de prevenir o câncer de mama. "Para as mulheres que estão pensando em ter filhos, um bom conselho é amamentar o bebê pelo menos durante o primeiro ano de vida. Estudos mostraram que esse hábito, além de trazer inúmeros benefícios para o bebê, pode diminuir em até 5% as chances de ter câncer de mama", explica.

Câncer de próstata

De acordo com o último levantamento feito pelo Inca, o câncer de próstata é o segundo tipo que mais atinge homens, correspondendo a 30% dos casos registrados. "Fazer o exame de toque retal ou ultrassom da próstata, anualmente, a partir dos 40 anos é fundamental", afirma o urologista José Roberto Colombo, especialista do Minha Vida.
Outra medida apontada pelo o especialista é aumenta a ingestão de tomates, principalmente em versão quente, como no molho vermelho. "O tomate tem uma substância chamada licopeno que, além de dar a cor avermelhada à fruta, também age como preventivo contra o câncer de próstata".

Câncer de pulmão

Esse tipo de câncer é o mais comum de todas as neoplasias malignas e apresenta um aumento de 2% ao ano na incidência mundial. "Aproximadamente 90% de pacientes que foram diagnosticados com câncer de pulmão fumam ou já fumaram. Esse dado já mostra que a melhor maneira de se prevenir é não fumar ou largar o cigarro o mais rápido possível", afirma o oncologista Artur Katz, do Hospital Sírio Libanês, líder da pesquisa “Câncer de Pulmão: a Visão dos Pacientes”.
De acordo com o pneumologista Ricardo Meirelles, da Divisão de Controle de Tabagismo do Inca, a região sul do Brasil é onde o câncer de pulmão afeta mais pessoas. "É lá também que o hábito de fumar e consumir outros produtos derivados do tabaco é mais comum", explica.

Cavidade oral e laringe

Mesmo que os casos desse tipo de câncer sejam mais comuns em homens, as mulheres também precisam ficar atentas e evitar alguns hábitos que causam diretamente a doença. "Os principais fatores de risco para o câncer da cavidade bucal são o fumo, o consumo de álcool e infecções bucais por HPV. Sozinho, o tabagismo é responsável por cerca de 42% das mortes por esse tipo de câncer. Já o alcoolismo intenso é responsável por 16% das mortes", afirma o oncologista Fernando Luiz Dias, coordenador da seção de cabeça e pescoço do Inca.
O tabagismo e o consumo de álcool têm efeitos ainda mais devastadores juntos. "Estudos apontam que, juntos, o fumo e a bebida aumentam em 30 vezes o risco para o desenvolvimento do câncer da cavidade oral e laringe", diz o oncologista Fernando Luiz Dias. 

Colo do útero

Tirando o câncer de pele não melanoma, o câncer de colo de útero é o que apresenta maior percentual de prevenção e cura. "Para diminuir esse tipo de câncer, dois hábitos se mostram bastante eficazes: o uso de preservativos e fazer o exame Papanicolau todos os anos", afirma o oncologista Hezio Jadir Fernandes Jr, diretor do IPC.
Segundo o especialista, o vírus do HPV é um dos principais causadores do câncer de colo de útero. Para se proteger, basta usar preservativos e controlar o número de parceiros sexuais. "O começo da vida sexual está cada vez mais precoce. Isso favorece o aparecimento do vírus do papiloma humano e, consequentemente, o câncer de colo de útero", explica. Como a vacinação contra HPV ainda não está disponível a todos, o uso do preservativo ainda é a melhor forma de prevenção.
Já o exame Papanicolau é a maneira mais eficiente de encontrar esse tipo de câncer no estado inicial. "Nessa fase, o problema é facilmente tratado. Por isso, as mulheres que tem vida sexual ativa devem fazer esse exame esse exame pelo menos uma vez por ano", explica o oncologista. 

Câncer de pele

Considerando todas as variações possíveis, o câncer de pele é o mais comum, tanto em homens como em mulheres. Por outro lado, ele também é o que possui o maior índice de cura, se descoberto em estágio inicial, e o mais fácil de prevenir. "O câncer de pele está diretamente ligado à exposição demasiada ao sol. Por isso, as duas melhores maneiras de se prevenir estão ligadas a este hábito", explica o dermatologista Claudio Mutti, especialista em cirurgia oncológica pélvica pelo Instituto de Controle do Câncer.
Segundo o dermatologista o protetor solar é o maior aliado na prevenção do câncer de pele. A aplicação deve ser feita cerca de 30 minutos antes da exposição ao sol e o produto deve ser aplicado no corpo todo, especialmente nas áreas mais expostas ao sol, como face, pescoço, colo e braços. "É nessas áreas que o câncer de pele é mais frequente", explica.
Outra medida importante é evitar sair no período de pico do sol, entre 10 e 16 horas. "Mesmo usando protetor solar, é importante evitar se expor aos raios solares nesse período de sol forte", explica Claudio Mutti.
 
Cólon e reto

"Uma alimentação balanceada, com baixo teor calórico, rica em frutas, fibras e legumes, associada a hábitos saudáveis como a prática de atividade física, pode reduzir 37% desse tipo de tumor", diz o nutricionista Fábio Gomes, especialista da área de nutrição do Inca. O especialista ainda lembra que a ingestão excessiva e prolongada de bebidas alcoólicas também pode ser um fator de risco para esse tipo de câncer.

FONTE: MINHA VIDA

domingo, 27 de janeiro de 2013

Reconstrução mamária imediata com músculo dorsal é segura, aponta tese




Procedimento não traz complicações pós-cirúrgicas e promove benefícios à qualidade de vida das mulheres

Isabel Gardenal

O câncer de mama, dependendo do seu grau de comprometimento, pode demandar uma intervenção cirúrgica como a mastectomia, para retirada total da mama, associada ou não à remoção dos gânglios linfáticos da axila. Ela pode estar ainda associada à cirurgia plástica para reconstrução mamária, conforme indicação médica. Em termos de funcionalidade física, é normal haver redução da movimentação do braço após a mastectomia, mas ainda não se sabia com certeza o quanto uma reconstrução poderia repercutir ou adicionar prejuízos à mobilidade dessas mulheres.
Um estudo de doutorado da FCM (Faculdade de Ciências Médicas), defendido dentro do Programa de Pós-Graduação em Tocoginecologia pela fisioterapeuta Riza Rute de Oliveira, demonstrou que a reconstrução mamária imediata (ela também pode ser feita meses depois) com músculo grande dorsal (retirado da região das costas e que atua no braço) é segura do ponto de vista de sua movimentação, não traz complicações pós-cirúrgicas e promove benefícios à qualidade de vida das mulheres.
Essas conclusões foram possíveis graças a uma avaliação de 104 mulheres mastectomizadas, das quais 47 se submeteram à reconstrução imediata com músculo grande dorsal associado à prótese de silicone no Hospital da Mulher Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti Caism, enquanto outras 57 passaram unicamente por mastectomia.
A pesquisa apontou que não houve perda funcional do braço e que o procedimento pode ser uma boa opção de reconstrução. Segundo o oncologista Luis Otávio Zanatta Sarian, orientador da tese, hoje há três tipos mais usuais de reconstrução: a Tram, que utiliza músculo da barriga; a Grande Dorsal, que emprega músculo das costas, e o expansor ou prótese.

Seguimento
Os estudos da literatura até então traziam metodologias retrospectivas de baixa qualidade e sem uma perspectiva longitudinal. Também as casuísticas eram muito menores e, na maioria, norte-americanas e europeias. O Brasil ainda não tinha dado sua contribuição.
No Caism, a reconstrução com o grande dorsal passou a ser a mais utilizada, permitindo a elaboração de um estudo longitudinal que respondeu algumas dúvidas sobre este tipo específico de reconstrução.
A doutoranda fez um estudo prospectivo entre 2007 e 2010, no qual foram incluídas todas as mulheres com até 70 anos submetidas à mastectomia no hospital, acompanhadas até um ano após o procedimento e avaliadas no pré-operatório, semanalmente até completar um mês e novamente aos três, seis e 12 meses.
Nesses períodos, verificou-se como se comportava a movimentação do braço, as complicações pós-operatórias e a qualidade de vida entre quem fazia reconstrução mamária imediata e quem não fazia.
Para avaliar a movimentação do ombro, foi adotado um goniômetro para medir a flexão (elevação frontal do braço) e a abdução (elevação lateral do braço) – movimentos mais usados no dia a dia. A pesquisadora explica que pessoas livres da doença têm amplitude completa de 180º tanto para flexão quanto para abdução.
No pré-operatório, a maioria das pacientes tinha o movimento de 180º completo. Mas, na primeira semana após a cirurgia, perdia-se essa amplitude, ficando com os movimentos em torno de 135º ou 145º.
Durante o primeiro mês após a cirurgia, todas as mulheres integravam um programa de fisioterapia para o braço no Caism, que consistia de 19 exercícios protocolados, conduzidos em grupo, que incluíam alongamentos, exercícios para o ombro e que finalizavam com relaxamento.
Após um mês, elas atingiam uma recuperação entre 150º e 160º, e muitas conseguiam realizar a maioria das atividades. “Todas as mulheres eram então orientadas a praticar diariamente os exercícios em casa, para manter a amplitude atingida ou recuperar o restante”, expõe a doutoranda. Mas, em caso de necessidade, o atendimento fisioterapêutico podia prosseguir.
Riza dimensiona que é muito importante que elas recuperem a movimentação inclusive do ombro pela independência física e pela necessidade de continuar o tratamento do câncer. Muitas delas necessitam passar por radioterapia, e o seu posicionamento durante este procedimento exige manter o braço aberto.
Alguns resultados não tardaram a surtir efeito. Mesmo não havendo diferença estatisticamente na recuperação do movimento entre os grupos, as mulheres reconstruídas tiveram uma recuperação um pouco melhor e menos complicações pós-operatórias do tipo deiscência cicatricial (quando a cicatriz abre) e aderência tecidual do que as só mastectomizadas.
A qualidade de vida delas foi avaliada a partir do questionário WHO-QOL 100 (World Health Organization – Quality of Life), contendo 100 questões, divididas em domínios ou áreas: domínio psicológico, físico e do nível de dependência, entre outros. Por meio dele, notou-se que mulheres reconstruídas tiveram melhor pontuação nos aspectos psicológicos e apresentaram nível de independência equivalente ao das outras mulheres (todas foram capazes de fazer as mesmas atividades nos dois grupos).

Realidade
De acordo com Luis Otávio, a reconstrução mamária no Brasil deve se tornar uma obrigatoriedade nos serviços de referência no tratamento desse câncer. “Os impactos benéficos, já testados, contribuíram muito para a qualidade de vida das pacientes”, diz.
Por outro lado, aspectos técnicos da mobilidade da mulher e de sua capacidade de realizar funções do dia a dia não tinham sido avaliados da maneira metodologicamente correta. Havia apenas estudos indicando complicações sobre a biópsia de linfonodos-sentinelas (o primeiro gânglio linfático a drenar o sítio do tumor), mas nenhuma abordando a reconstrução mamária.
Esse estudo foi inédito e avaliou ao longo do tempo a recuperação do movimento das mulheres submetidas à reconstrução imediata, uma das fases mais delicadas na decisão da paciente, por mexer com grande parte da musculatura que exerce influência sobre o braço e os ombros.
Mas, a despeito dos benefícios que o procedimento promove, há contraindicações à reconstrução imediata em estágios muito avançados da doença. Outro percalço é a rejeição decorrente de complicações, apesar de mínima (que depende do tipo de reconstrução). A própria prótese de silicone pode ser um empecilho.
Quando é efetuado um retalho, em que se tira a pele e o músculo de uma região para recolocar em outra, essa transferência pode levar à necrose e a infecções. Conforme o Food and Drugs Administration (FDA), o índice de infecção em implantes de silicone é de 1% a 2%, em um intervalo pós-operatório de um ano.
Neste momento, estão saindo novas normatizações no Brasil preconizando que os tratamentos de câncer de mama pelo SUS vão ter obrigatoriedade de oferecer as reconstruções mamárias. Hoje, alguns serviços, como o Caism, já financiam as próteses.

Evolução
Segundo tipo mais comum, após o câncer de pele, o câncer de mama entre as mulheres responde por 22% dos casos novos a cada ano (a estimativa do Instituto Nacional do Câncer foi de 52.680 casos novos no país em 2012 e a sobrevida média após cinco anos é de 61%) A sua incidência está aumentando e isso se atribui às mulheres que estão tendo menos filhos, mais tardiamente e vivendo mais.
“As taxas de mortalidade continuam elevadas porque a doença é diagnosticada em estádios mais avançados”, lamenta o oncologista. Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta idade sua incidência cresce rapidamente. As mulheres que têm filhos depois disso têm um risco em torno de 50%, todavia não significa que desenvolverão a doença.
É mais suscetível a mama que fica por maior tempo sem cumprir o seu completo desenvolvimento, que ocorre quando a mulher fica grávida. Para esse tipo de câncer há ainda a influência de fatores ligados ao ambiente, como a obesidade, contudo em especial conta muito o fato de as pessoas viverem mais.
Quase todos os cânceres, pontua Luis Otávio, têm relação com a idade, tanto que, quanto mais tempo se vive, mais chances há de desenvolvê-los, isso tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento. As mulheres diagnosticadas precocemente, salienta, têm uma probabilidade de sobreviver ao câncer de mama em mais de 95% dos casos, porque os tratamentos atuais e as tecnologias vêm sendo efetivos. Entretanto, as condutas terapêuticas variam.
A priori o tratamento do câncer pode ser cirúrgico e depois medicamentoso. Em algumas situações, indica-se quimioterapia, em outras bloqueador hormonal e em outras ainda a mulher pode receber anticorpos contra proteínas que o câncer produz.
Até o momento não se fala de vacinas. A última palavra em medicamento é o herceptin (nome comercial), distribuído pelo SUS. Mais ou menos 30% das mulheres são tratadas com essa droga, que produz involução dos tumores. No câncer avançado, mostrou que auxilia no controle da doença, prolonga a sobrevida e melhora a qualidade de vida das mulheres, passando a ter menos sintomas, hospitalizações, etc.
Riza relembra que a mama representa funções elementares: a feminilidade das mulheres, a sexualidade e a maternidade; e que a sua extirpação afeta sobretudo a sexualidade, pois a maior parte delas nessa fase já ultrapassou a fase da maternidade, o que vem a prejudicar mais a sua imagem corporal.
Já alguns tipos de câncer de mama atingem mulheres na faixa dos 30 anos, em função de um componente familiar, e em torno de 85% esporadicamente, partindo de alterações adquiridas com o tempo, depois dos 50 anos. São de motivação epidemiológica, pela exposição a uma causa que não se sabe ao certo. Agora, uma mulher que teve dez filhos, menarca tardia, menopausa precoce e que não é obesa também pode ter esse câncer, embora não seja a situação mais comum.

Referência
Para cada tipo de mama, existe um tipo ideal de reconstrução. No Caism ela é feita pelos oncologistas com os cirurgiões plásticos – a equipe de Oncoplástica. Além dos vários profissionais, o hospital tem um serviço que é, dentro do interior do Estado, o que mais recebe casos de câncer de mama, o que qualifica a assistência, acredita Luis Otávio. O atendimento ambulatorial acontece diariamente. A mulher é encaminhada pela rede de saúde. Esse serviço oferece todos os tipos de reconstrução mamária, consoante à necessidade da mulher.

Tese: “Amplitude de movimento do ombro, complicações pós-operatórias e qualidade de vida de mulheres submetidas à mastectomia e reconstrução mamária imediata”
Autora: Riza Rute de Oliveira
Orientador: Luis Otávio Zanatta Sarian
Unidade: FCM

domingo, 13 de janeiro de 2013

18 dicas para ter qualidade de vida durante o tratamento do câncer


1. Você pode dominar a situação, mesmo diante de problemas sérios.

2. Mesmo em situação de extrema gravidade saiba que existe uma saída.

3. O medo da morte faz parte da maioria dos pacientes com câncer. É preciso paciência para atingir bons resultados.

4. Monte projetos de vida durante o tratamento quimioterápico. Use as habilidades pessoais para desenvolver esses projetos.

5. Converse com seus médicos. O diálogo pode ajudar mais do que os antidepressivos.

6. Para ajudar alguém, você deve se ajudar primeiro.

7. Fique atento aos sintomas de seu corpo e avise ao seu médico. Ninguém melhor do que você para perceber suas alterações.

8. Metas devem ser ajustadas às finalidades particulares.

9. Volte a apreciar a natureza e use os seus cinco sentidos (visão, olfato, paladar, tato e audição).

10. Vença as crises e cresça.

11. Imagine que você tem o controle total da situação. Isto faz parecer que os problemas são menores.

12. Encontrar harmonia familiar também ajuda no equilíbrio da doença. Portanto, sempre que puder, reúna a família.

13. Nunca deixe escapar uma grande oportunidade de suas mãos, mesmo que você esteja doente.

14. Continue trabalhando em projetos que gosta enquanto continua seu tratamento médico. Isto traz satisfação e bem- estar.

15. Estimule áreas adormecidas do cérebro.

16. Ocupe o seu tempo com atividades prazerosas e trace um plano de metas.

17. A sustentabilidade de um processo depende de atitudes rápidas.

18. Independente da crise pela qual esteja passando, mantenha sua mente ocupada com alguma coisa. Assim, os problemas se tornam menores.

 
Extraído do livro “Como Viver em Harmonia com o Câncer”, de Celso Massumoto, médico onco-hematologista

domingo, 14 de outubro de 2012

O rosa que chama a atenção



Chegamos a outubro e em vários pontos do país vemos monumentos, prédios públicos e históricos se iluminarem de rosa para chamar a atenção para o segundo tipo de tumor que mais mata no Brasil: o câncer de mama. Este ano, segundo dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer), teremos 52.680 casos novos da doença, com um risco estimado de 52 casos a cada 100 mil mulheres. Apesar de ser considerado um câncer de relativamente bom prognóstico se diagnosticado e tratado oportunamente, as taxas de mortalidade por câncer da mama continuam elevadas no Brasil, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estádios avançados. A sobrevida média após cinco anos na população de países desenvolvidos tem apresentado um discreto aumento, cerca de 85%. Entretanto, nos países em desenvolvimento, a sobrevida fica em torno de 60%.

Uma coisa que aprendi quando tive câncer foi que essa é uma doença democrática, porque não escolhe cor, classe social ou religião. Acomete tanto mulheres que se encontram em suas faixas de risco, quanto aquelas que não se encaixam em nenhum dos requisitos para que a neoplasia se instale. O mais assustador nos dados acima é que a maioria dos casos poderia ser tratada logo no início, mas é descoberta muito tarde.

Tenho amigas da minha faixa etária e até mais velhas do que eu que “esquecem” de ir ao ginecologista durante o ano. Outro dia conversei com uma colega que me confessou estar há três anos sem fazer nenhum exame preventivo. Com pouco mais de 40 anos, essa amiga disse que acaba sempre deixando os exames para depois, e acaba se esquecendo de marcar o médico.

A rotina do autoexame e a mamografia ainda são as maneiras mais eficazes de se detectar o problema logo no começo, quando o tratamento é menos invasivo e as sequelas das cirurgias e tratamento são menos devastadoras. Mas parece que as mulheres ainda não entenderam que “perder” 10 a 20 minutos uma vez por mês para fazer o autoexame é na verdade ganhar a segurança de que está tudo bem e, se não estiver, vencer a doença ainda em seu início. Ainda me impressiono em ver que perdemos duas horas no cabeleireiro, que ficamos uma hora e meia sentadas fazendo a unha, mas que não nos preocupamos em arrumar duas horas para um exame tão importante como a mamografia. Não nos importamos em gastar com cabelo, unha e maquiagem, mas sempre achamos caro quando se trata de pagar um exame para nosso bem estar. Exame esse que pode ser feito pela rede pública de saúde.

Muita gente acha que vestir o rosa não vai mudar nada. Mas eu sei que, em outubro, quando olhamos aquele rosa estampado em vários lugares, nos lembramos desses exames tão importantes. Se esse movimento conseguir com pelo menos uma mulher faça o autoexame, ele já terá valido a pena.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Mudança

Ansiosa porque amanhã inicio um novo processo de mudança em minha vida. Vou colocar balão intragástrico, porque entre isso e a cirurgia bariátrica, prefiro o primeiro procedimento, que posso reverter a hora que eu quiser. Muita gente que me conhece pessoalmente deve estar se perguntando se isso é necessário, e eu posso dizer que, infelizmente, é. Meu IMC hoje é de obesidade mórbida. Ainda não tenho nenhum problema inerente à obesidade, tais como colesterol, triglicérides, glicemia e pressão altos, mas meu corpo já anda sentindo todo esse peso. Tem muitos fatores que contribuem para isso, e não me isento da culpa de ser sedentária e gostar de comer. Somando-se o medicamento que tomo para não ter câncer e a genética que sempre me fez ser acima do peso, temos um conjunto de fatores que me desanima a cada vez que começo uma dieta e, depois de fazer tudo certinho, a balança geralmente baixa pouco mais de um quilo. Para compensar, ganho esse mesmo peso perdido com muito sacríficio em apenas um dia. Assim, estou fazendo a tentativa de me reeducar e exercitar para não ter que fazer a cirugia bariátrica. O balão não vai me fazer ficar magra, mas apenas me ajudar a perder peso mais rapidamente do que o normal. O resto vai depender de mim, e espero ter tanta vontade para mudar isso quanto tive para ficar curada.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Inca aponta que 37% dos casos de câncer do país previstos para esse ano são relacionados ao tabagismo

Levantamento do Instituto Nacional de Câncer mostra ainda que os homens brasileiros podem perder até dez anos de vida por conta de tumores malignos causados pelo uso do cigarro

O Dia Mundial Sem Tabaco de 2012, no Brasil, foi marcado pelo tema “Fumar: faz mal pra você, faz mal pro planeta”. O mote foi adaptado da proposta da OMS (Organização Mundial da Saúde) para a realidade do país enfocando os danos causados pela cadeia de produção do tabaco e os malefícios à saúde da população. O Inca (Instituto Nacional de Câncer) José Alencar Gomes da Silva, órgão veiculado ao Ministério da Saúde, em recorte especial das estimativas de câncer para 2012, aponta que 37% dos casos da doença podem estar relacionados ao tabagismo.
Apesar de ser a primeira vez que o país registra menos de 15% na prevalência de fumantes, de acordo com as informações do Vigitel (pesquisa telefônica do Ministério da Saúde), o Inca alerta para os percentuais estimados de casos novos de câncer tabaco-relacionados para esse ano.
“O país já alcançou muitos avanços na luta contra o tabagismo, mas o número de casos novos relacionados ao fumo é preocupante. É preciso regulamentar definitivamente a lei dos ambientes 100% livres do tabaco e dar mais um grande passo em prol da saúde dos brasileiros”, diz o diretor-geral do Inca, Luiz Antonio Santini.
Quando avaliados por região, os percentuais dos cânceres causados pelo tabaco, comparados com todos os casos novos para esse ano, ficam em 45 %, nas mulheres e 34% nos homens do Norte do país; 43% no sexo masculino e 35% no feminino do Sudeste; 40% nas mulheres e 35% nos homens do Centro-Oeste e, 35% do sexo masculino e 40% do feminino na Região Centro-Oeste do país.
“Observar as informações do recorte das doenças tabaco-relacionadas nos dá a dimensão do que é o desafio do combate ao câncer. É importante que os gestores visualizem o impacto do tabaco nos casos novos de câncer para melhorar mais ainda as estratégias de prevenção”, explica a gerente da Divisão de Informação do Inca, Marise Rebelo.
Outra conclusão alarmante do estudo é que se consideramos uma expectativa de vida até os 80 anos, os brasileiros podem perder até seis anos potenciais de vida e, as brasileiras, até cinco anos, devido a alguns tipos de câncer tabaco-relacionado. No Sul, essas informações chamam ainda mais atenção, pois são até dez anos perdidos, pelos homens e, seis pelas mulheres; e no Sudeste, oito anos, entre o sexo masculino, e cinco entre o feminino.
Apesar da queda significativa no número dos fumantes brasileiros, o percentual de mortalidade por câncer tabaco-relacionado ainda é alto. O câncer de pulmão, por exemplo, é responsável por 37% das mortes por câncer na região Sul, entre o sexo masculino. Nas outras regiões, também entre os homens, esse tipo de tumor é responsável por 30% da mortalidade por câncer.
Entre as mulheres, na região Sul, o tumor de pulmão é o que mata mais dentre todos os cânceres: 24%. O câncer de cólon e reto, que também sofre influência do tabagismo, representa 20% das mortes por câncer na região Sudeste.

Fumar: faz mal pra você, faz mal pro planeta

O Inca lembra que além dos danos à saúde (como diferentes tipos de câncer, doenças cardiovasculares, doenças respiratórias, dentre mais de 50 doenças diretamente relacionadas ao tabagismo), ao longo da cadeia de produção do tabaco há fatores que afetam o meio ambiente e toda a sociedade: desmatamento, uso de agrotóxicos, agricultores doentes, incêndios e poluição do ar, das ruas e das águas.
“Basta manter um cigarro aceso para poluir o ambiente. A fumaça do cigarro contém mais de 4,7 mil substâncias tóxicas, incluindo arsênico, amônia, monóxido de carbono (o mesmo que sai do escapamento dos veículos), substâncias cancerígenas, além de corantes e agrotóxicos em altas concentrações. Imagine a quantidade de toxicidade que várias pessoas fumando deixam no nosso planeta”, diz a coordenadora da Divisão de Tabagismo do Inca, Valéria Cunha.
Os agricultores são vítimas de doenças causadas pelos pesticidas e pelo manuseio da folha de tabaco (doença do tabaco verde, com sintomas que incluem náusea, vômito, fraqueza, dor de cabeça, tonteira, dores abdominais, dificuldade para respirar e alteração na pressão sanguínea).
“Dentre as crianças e adolescentes de 5 a 15 anos envolvidas em atividades agrícolas na região Sul do Brasil, 14% trabalham no cultivo do tabaco, ficando expostas a grandes quantidades de agrotóxicos, o que é bastante prejudicial à saúde”, explica o médico pneumologista da Divisão de Tabagismo do Inca, Ricardo Meirelles.
Nos países em desenvolvimento, o desmatamento devido ao plantio e secagem das folhas do tabaco corresponde a 5% do total. Para cada 300 cigarros produzidos, uma árvore é sacrificada. O fumante de um maço de cigarros por dia consome duas árvores em um mês. Ainda que as zonas desmatadas sejam reflorestadas, não são refeitas as condições naturais quanto à flora e à fauna da mata virgem. O desmatamento está associado ainda a surtos de doenças infecciosas, e à erosão e destruição do solo.
Pelo menos 25% dos incêndios rurais e urbanos são causados por pontas de cigarros. Os filtros, por sua vez, estão carregados de materiais tóxicos que podem demorar mais de cinco anos para se decompor. Há contaminação do solo e bloqueio dos sistemas das águas e esgoto.
As pontas de cigarros são levadas pela chuva para rios, lagos, oceanos, matando peixes, tartarugas e aves marinhas que podem ingeri-las.

Fumo passivo

Estudos revelam que entre pessoas expostas ao fumo passivo há risco 30% maior de desenvolver câncer de pulmão, 30% mais risco de sofrerem doenças cardíacas e 25% a 35% mais riscos de terem doenças coronarianas agudas. Além disso, a propensão à asma e à redução da capacidade respiratória é maior neste grupo.
No Brasil, pelo menos, 2.655 não-fumantes morrem a cada ano por doenças atribuíveis ao tabagismo passivo. O que equivale dizer que, a cada dia, sete brasileiros que não fumam morrem por doenças provocadas pela exposição à fumaça do tabaco.