domingo, 18 de agosto de 2013

Direitos dos pacientes com câncer


O câncer é uma doença enfrentada por significativa parte da população. Não distingue quanto à raça, orientação sexual ou religiosa. É um problema universal. Porém, a luta começa muitas vezes, antes do início do tratamento. No Brasil, alguns remédios – sendo eles ligados ao tratamento de neoplasia maligna – por terem alto custo, são negados pelo SUS (Sistema Único de Saúde). “É dever do Estado garantir assistência médica e farmacêutica a todos os cidadãos, desde que os medicamentos tenham sido indicados por médicos habilitados, exceto medicamentos importados que tenham similares nacionais”, expõe a advogada Danielle Bitetti.
Os portadores de câncer possuem prioridade quanto ao requerimento judicial de tratamento. “Além desses benefícios, o paciente com câncer, nos termos da Lei nº. 8.922/94 e Decreto nº. 5.860/2006 tem direito ao saque do saldo das contas do FGTS, sempre que necessário até a alta médica definitiva, mediante demonstração do laudo e relatório médico que atestem a doença. Válido destacar que os trabalhadores com dependentes portadores de câncer também poderão se valer desse benefício” ressalta a advogada. Porém não são os únicos que devem socorrer a este Poder, que assume a responsabilidade de fazer valer o direito do cidadão à saúde.
O estresse desenvolvido por familiares e acompanhantes de portadores de câncer é grande. O Estado tenta minimizá-lo por meio de alguns benefícios, que atingem não só o doente, mas seus curadores também, como: a circulação livre – não há, aos portadores, o impedimento de se locomover na cidade em horários restritos a carros (desde que esse seja registrado), a isenção do imposto de renda na aposentadoria, a compra de veículos com descontos e adaptados ao paciente, o passe livre em transportes coletivos, cirurgia plástica reparadora de mama (em redes do SUS).
“Com essas informações os portadores desta enfermidade aumentam sua qualidade de vida. A luta dos pacientes contra os abusos cometidos serve como um apoio significativo ao tratamento médico, uma vez que com a ‘briga’ pelos seus direitos, a vontade de viver dos portadores da doença aumenta” conclui Danielle.


Fonte: Porto, Guerra & Bitetti Advogados

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Fortalecendo estigmas


As redes sociais e sites essa semana foram tomados por uma avalanche de notícias sobre a atriz Mariana Ruy Barbosa, cuja personagem Nicole, na novela “Amor à Vida”, tem câncer e, por conta disso, iria ficar careca durante o tratamento. A grande discussão que tomou conta das redes e sites era: ela deve ou não ficar careca? Para quem não sabe – eu mesma não sabia – Mariana tem longos cabelos ruivos, que se tornaram “objeto de desejo” de milhares de mulheres em salões de beleza. A atriz chegou, inclusive, a recusar R$ 1 milhão para tingir as madeixas, o que demonstra sua preocupação com esse símbolo de feminilidade tão valorizado pelas mulheres.
Não assisto novela e nem sabia quem era Nicole até essa avalanche de notícias sobre ela cortar ou não o cabelo. Porém, ao ler sobre o assunto e o drama que estavam fazendo sobre o fato, fiquei pasma em ver como o estigma de uma pessoa ficar careca por conta do câncer é extremamente forte em nossa sociedade. Para acabar com a polêmica, o autor da novela, Walcyr Carrasco, anunciou então que ela não vai mais raspar a cabeça, e que terá uma “história linda” na trama.
Poderia falar aqui que a atriz mostrou total falta de profissionalismo agindo assim, afinal, se sabia que sua paciente tinha câncer e iria ficar careca, não podia no meio do caminho mudar de ideia. Mas se ela resolveu ser apenas mais um rostinho bonito entre os globais, e não uma profissional como Carolina Dieckmann – que não hesitou em raspar a cabeça em “Laços de Família”, em uma cena que marcou na televisão brasileira – não é o ponto principal para mim.
O que me deixou incomodada com o assunto foi o fortalecimento do estigma de que a mulher com câncer, se já não bastassem todos os problemas da doença, ainda tem de lidar com a perda dos cabelos, o que mexe bastante com sua autoestima. Milhares de mulheres assistem novela, muitas delas passando pelo câncer nesse momento. Ao invés de ajudá-las a superar esse estigma, o autor preferiu reforçar um preconceito já existente.
Walcyr Carrasco demonstra, com sua atitude, que ficar careca é a pior coisa do mundo. "Belo" exemplo a tantas mulheres que passam por quimioterapia e, diferente de uma novela, não têm a opção de manter seus cabelos. Um total desserviço às mulheres que sofrem com essa doença que já tantos estigmas nos traz! E falo "nos" porque, como ex-paciente de câncer de mama, sei como é duro enfrentar a queda dos cabelos. Claro que não é o principal durante o tratamento, até porque cabelo cresce de novo, mas ainda assim é um baque tremendo, difícil de ser aceito e que nos deixa mais deprimidas ainda quando estamos doentes. Walcyr Carrasco poderia ter feito a diferença, mas decidiu fortalecer um estigma difícil de ser enfrentado.

sábado, 6 de julho de 2013

Quatro anos de volta à rotina!



Há exatos quatro anos, após um ano e três meses de licença médica, voltava a trabalhar na redação do Liberal. De lá para cá passei por quase todas as editorias, e há dois anos e meio, por indicação do meu chefe, Carlos Ventura, encontro-me hoje na editoria de Cultura, que amo fazer. Passados quatro anos do retorno ao trabalho - e consequente volta à vida normal depois de um câncer de mama - posso dizer que sou feliz principalmente por saber que essa data significa, acima de tudo, SAÚDE! Por isso que, nos plantões - como hoje - procuro estar sempre de bom humor. Claro que é mais gostoso estar de folga em final de semana e feriado, mas é infinitivamente melhor estar trabalhando do que doente na cama. E sou feliz também porque trabalho em uma redação onde a amizade e mais pura trairagem imperam, onde tenho bons amigos e, apesar da correria do dia a dia, também me divirto. Que venham mais quatro, oito, dezesseis, trinta e dois anos... todos com a mais perfeita saúde!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Cinco anos após a quimio


Há exatos cinco anos, eu começava a fazer o tratamento mais difícil da minha vida, a quimioterapia. Costumo dizer que não desejo que nem meu pior inimigo - que eu não tenho - precise passar por isso, de tão horrível que é. O bom lado é que graças a ela eu me curei do câncer pela segunda vez. Também costumo brincar que quem faz quimio tem um "vale" lá no céu, e pode pecar bastante aqui na terra. Entre brincadeiras e seriedade, eu agradeço por existir esse tratamento que, se nos destrói fisicamente enquanto está sendo aplicado, salva milhares de vidas. Nesse mesmo dia também conheci minha querida amiga Aline, que há três nos deixou e virou uma estrela linda no céu. Por esses dois motivos, o Dia de São João tem um significado muito especial para mim. Que ele sempre nos cubra de bênçãos!

domingo, 19 de maio de 2013

Escolha difícil e salvadora



O assunto da semana em quase todos os órgãos de comunicação foi a mastectomia dupla a qual a atriz Angelina Jolie se submeteu há três meses, após descobrir, através de um exame genético, que tinha 87% de chances de desenvolver um câncer de mama. Com a cirurgia, ela não eliminou totalmente as possibilidades de vir a ter a doença, mas reduziu o risco para apenas 5%. Em todas as mídias, vi matérias e artigos sobre o assunto, a grande maioria com base científica e explicando corretamente o procedimento, enquanto alguns buscaram apenas o sensacionalismo barato para desmerecer a atitude dela em revelar o procedimento.
Como mulher e ex-paciente do câncer de mama por duas vezes, acho que tenho um bom conhecimento sobre o assunto. Tirar um seio, estando doente, foi uma das decisões mais difíceis que tive de tomar em minha vida. Ou melhor, nem foi decisão, porque os médicos já haviam dito que essa era minha única opção em ficar curada. Mas eu tinha o direito de não fazer a mastectomia e continuar o tratamento com radioterapia e quimioterapia. Claro que quis garantir o máximo possível minha cura, e não hesitei em fazer a cirurgia. Foi triste? Muito, e só quem passa por isso entende o sofrimento e as consequências de uma cirurgia desse porte, que não se limitam ao aspecto físico.
Em muitos dos textos que li e comentários sobre a decisão de Angelina, a tônica era a mesma: um sentimento de despeito e até mesmo uma total falta de respeito com a atriz, apenas por ela ser rica, famosa e bonita. Frases como “ela tem dinheiro, coloca os seios que quiser depois”, “sendo rica do jeito que é, grande coisa, se fosse uma pobretona do SUS (Sistema Único de Saúde) aí sim eu ia respeitar a atitude”, “tirou para poder colocar silicone” (essa foi a mais ignorante de todas!), mostram claramente que, por ser quem é, Angelina é uma pessoa que não pode ter problemas e, se os têm, não pode sofrer por ter dinheiro.
A decisão da atriz em tornar público seu procedimento – que inclusive já é feito no Brasil – mostra para mim que, como qualquer mortal, Angelina tem seus problemas, seus sofrimentos, suas decisões difíceis. O fato de ter dinheiro não a torna imune às dificuldades da vida. A atriz viu sua mãe morrer aos 56 anos por causa de um câncer. Por que então não se prevenir disso? Com certeza, evitar 100% ela não pode, ou melhor, ninguém pode. Mas não nos prevenimos todos os dias contra mil coisas, mesmo sabendo que outras podem acontecer? Ou vamos de encontro ao risco, ou invés de evitá-lo quando conhecemos as chances de algo ruim acontecer? Angelina evitou seu risco. Se vai ficar doente, somente o futuro dirá. Mas ela, em um primeiro momento, fez a sua parte. Se fosse eu, com certeza, teria feito a mesma coisa.

domingo, 7 de abril de 2013

Sono e atividade física ajudam a prevenir o câncer



Pesquisas apontam que o sono é tão importante para a saúde como a prática de exercícios físicos

Dia 8 de abril é o Dia Mundial do Combate ao Câncer. A data, instituída pela OMS (Organização Mundial da Saúde), tem por objetivo conscientizar as pessoas quanto à importância da adoção de hábitos mais saudáveis, com foco na prevenção desta que é uma das doenças que ainda mais mata no mundo.
No Brasil, dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva), válidos para o período de 2012 a 2013, estimaram o surgimento de cerca de 520 mil novos casos só no ano passado. Neste estudo, foi constatado também que os tipos de cânceres mais incidentes nas regiões brasileiras são os de pele não melanoma, próstata, mama e pulmão. A alimentação desregrada, o cigarro, a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas e a exposição prolongada ao sol são alguns dos fatores que mais contribuem para o desenvolvimento da doença.
Mas a adoção de algumas medidas bem simples e rotineiras pode ser o primeiro passo para evitar este mal. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Nacional do Câncer, nos Estados Unidos, um sono de qualidade, aliado à prática regular de atividades físicas, desempenha papel fundamental na prevenção da doença. O estudo realizado durante dez anos com quase seis mil mulheres, revelou que aquelas que praticavam exercícios físicos constantemente registraram uma probabilidade 25% menor de desenvolver qualquer tipo de câncer. No entanto, entre estas mesmas voluntárias que praticavam atividades regularmente, a ausência do sono reparador elevou para 47% o risco de exposição à doença.
A teoria levantada pelos cientistas para explicar a importância do repouso noturno diz respeito ao envelhecimento celular, uma vez que quem dorme pouco antecipa esse fenômeno, predispondo o organismo a inúmeras doenças, entre elas, os tumores malignos.
De acordo com a Consultora do Sono da Duoflex, Renata Federighi, durante a noite, as células precisam repousar completamente para não perder sua eficiência e sofrer mutações que são as causas para o aparecimento de um câncer. “A pesquisa americana também evidencia que os treinos estimulam o sistema imunológico e diminuem a incidência de inflamações pelo corpo. Já, poucas horas de repouso atuam no sentido inverso, prejudicando as defesas do organismo e favorecendo quadros inflamatórios vulneráveis a tumores”, explica.
Embora a necessidade das horas de sono seja uma característica individual, a média da população adulta necessita de sete a oito horas de sono diárias para que haja um reparo das funções do organismo, já que, dormir não é apenas uma necessidade de descanso mental e físico. “É durante o sono que ocorrem vários processos metabólicos que, se alterados, podem afetar o equilíbrio de todo o organismo a curto, médio ou em longo prazo”, acrescenta a consultora.

FONTE: DUOFLEX

sábado, 6 de abril de 2013

Cinco anos...

Há cinco anos, no dia 5 de abril, num sábado, eu iniciava pela segunda vez uma luta contra o câncer de mama. Lembro do momento exato em que meu pai, encostado na pia, me dizia que meu exame havia detectado um nódulo no seio direito, o mesmo onde cinco anos antes eu já havia tirado uma lesão cancerosa. Lembro também do meu desespero em saber até então que a doença podia estar voltando, fato que só foi confirmado 11 dias depois, após a remoção do nódulo e biópsia.
Passados cincos anos, oito cirurgias, dez sessões de braquiterapia, oito quimios, estou aqui viva, saudável, chegando a mais cinco anos sem o câncer e, principalmente, FELIZ!
Esquecer as datas seria como esquecer a história que me fez chegar aqui. E lembrar a data me faz lembrar a bênção que tive ao vencer o câncer pela segunda vez. Depois disso tudo, passei a viver mais ainda intensamente todos os meus sonhos, e a me mostrar, diariamente, grata a Deus, a minha família, aos amigos e médicos que cuidaram de mim por ter conseguido ficar curada.
Celebro hoje não cinco anos da volta da doença, mas cinco anos do presente de uma terceira chance na vida, porque a primeira ganhamos quando nascemos, e Deus me deu mais duas ainda. Espero, com elas, poder fazer o meu melhor.